Às vésperas da eleição presidencial brasileira e sob a sombra da sobretaxa imposta pela Casa Branca aos produtos nacionais, governos de Brasil e EUA realizaram, nesta quarta-feira (30), seu primeiro diálogo presencial desde a eclosão da nova crise tarifária. A reunião ocorreu à margem do encontro de ministros do Comércio do G20 em Milwaukee (EUA) e foi classificada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil como um passo “construtivo” no sentido de mitigar os atritos bilaterais.
O encontro reuniu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, com o representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer. De acordo com a diplomacia brasileira, ambas as partes demonstraram interesse em trabalhar de forma célere para alcançar um alinhamento satisfatório e pacificar a pauta econômica. Ficou ajustado que, nas próximas semanas, Washington apresentará um plano de trabalho formal para nortear as negociações, abrangendo barreiras tarifárias e não tarifárias.
A turbulência no comércio bilateral intensificou-se em julho deste ano, quando a administração do presidente norte-americano Donald Trump aplicou duas rodadas sucessivas de sobretaxas sobre produtos brasileiros, alegando supostas práticas desleais de comércio e violações operacionais, acusações veementemente rechaçadas pelo governo brasileiro.
No entanto, os atritos diplomáticos e comerciais vêm se acumulando desde 2025, quando Washington adotou as primeiras medidas retaliatórias contra o país no contexto do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O cenário econômico desdobra-se em um momento político altamente sensível no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concorre à reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho e herdeiro político de Jair Bolsonaro. Lula chegou a criticar publicamente a imposição das tarifas, apontando as decisões da Casa Branca como tentativas indiretas de interferir no processo eleitoral brasileiro.
Embora Trump tenha recebido Flávio Bolsonaro para uma agenda reservada na Casa Branca no início do ano, o presidente republicano evitou chancelar formalmente a candidatura do senador até o momento. Por outro lado, buscando manter canais abertos de diálogo institucional, Lula e Trump mantiveram uma conversa telefônica de mais de uma hora em agosto, descrita pelo Planalto como um diálogo de tom “cordial e amigável”.
Com a promessa da entrega do plano de trabalho americano em breve, a expectativa dos setores exportadores é que o avanço das conversas possa sinalizar um alívio nas barreiras comerciais após o pleito do próximo domingo.
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