Petro denuncia Escudo das Américas como fachada da extrema-direita

Petro denuncia Escudo das Américas como fachada da extrema-direita

  • 1 de outubro de 2026
  • Mundo
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O Escudo das Américas é um biombo do governo Trump para levar adversários à Justiça e proteger aliados.

A denúncia é do ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro.

O Escudo é formado por Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidade & Tobago.

É uma espécie de Plano Condor do século 21, que sob o comando de Washington articula ações supostamente em defesa da “democracia” e contra o “narcotráfico”.

Em uma decisão recente, o Escudo seguiu o comando dos EUA e votou para incluir o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações “narcoterroristas”.

Na primeira leva de ações do Departamento de Estado sob o âmbito do Escudo das Américas, os vistos de 27 pessoas da Bolívia, Colômbia, Peru e Equador foram cancelados ou não serão concedidos.

Na Colômbia foram alvo a senadora indígena Marta Peralta Epieyú, seus familiares e o empresário Euclides Antonio Torres Romero.

Financiador de Petro

Euclides foi acusado de financiar a campanha de Gustavo Petro em 2022. A senadora pertence ao Pacto Histórico, que levou Petro ao poder.

Ela está sob investigação local por corrupção. A senadora se diz vítima de perseguição política.

Ao suspender os vistos antes mesmo de qualquer condenação ter transitado em julgado, Washington busca enfraquecer os adversários de seus aliados, sustenta Petro:

É um apartheid político contra todo aquele que pensa diferente dos donos da Casa Branca, que são os homens mais poderosos do mundo em dinheiro, mas os mais miseráveis em ideias políticas.

No Peru o alvo foi o juiz Juan Carlos Núñez Matos, do Primeiro Tribunal Constitucional de Lima, autor de ao menos duas sentenças que favoreceram interesses da China.

Numa deles, Matos barrou o Organismo Supervisor do Investimento em Infraestrutura de Transporte de Uso Público (Ositran), órgão público, de interferir no porto de Chancay, operado pela chinesa Cosco Shipping. A sentença foi revertida por um tribunal superior.

EUA deram aval

Na Bolívia, o procurador-geral da República Roger Mariaca e sua família ficaram impedidos de tirar vistos nos EUA.

Algumas horas depois, Mariaca e o promotor de Santa Cruz, Alberto Zeballos, foram presos sob acusação de corrupção. Também foi preso Martin Flores, promotor que já deu assistência jurídica a Evo Morales e ao partido de esquerda MAS, o Movimento ao Socialismo.

Segundo a polícia, uma ambulância teria sido utilizada para retirar dinheiro vivo da casa de Mariaca.

Mariaca liderou a investigação e prisão de Fernando Cerimedo, o agitador de extrema-direita que, em nome de aliados de Donald Trump, interveio em eleições em vários países da região, inclusive no Brasil.

A prisão do procurador-geral aconteceu horas depois de a ex de Cerimedo, Nadia Beller, divulgar fotos do agitador com o filho do presidente dos Estados Unidos, Don Jr.

Beller resistiu a uma tentativa de assassinato atribuída a Cerimedo e passou a denunciá-lo.

Hoje, o secretário de Estado Marco Rubio deu apoio “firme” ao governo de Rodrigo Paz pela ação contra o procurador-geral.

Redação Panorama em Foco
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