Uma fala de um ex-funcionário da Anthropic, afirmando que existe um risco de até 10% de a inteligência artificial e a superinteligência “exterminarem a humanidade”, fez com que o discurso público nos EUA sobre a possibilidade de uma regulação e de um freio no desenvolvimento da tecnologia ganhasse força bipartidária.
O movimento ganhou tanta força que chegou a unir figuras como o senador socialista Bernie Sanders e o conselheiro de Donald Trump e Jair Bolsonaro, Steve Bannon. Um dos apontamentos do ex-funcionário é que o desenvolvimento de uma IA autoconsciente e superinteligente seria inevitável porque existiria o risco de tal tecnologia ser concluída na China.
O fator China é de grande preocupação para os desenvolvedores de IA estadunidenses. Basta relembrar o lançamento do modelo DeepSeek, que causou uma desvalorização histórica nas ações da Nvidia e acabou sendo um grande choque para as empresas de tecnologia americanas. Os modelos de empresas como DeepSeek, Alibaba e Moonshot AI operam em níveis superiores ou similares aos de seus concorrentes ocidentais, com custo menor e código aberto.
Atualmente, 7 dos 10 modelos mais utilizados de IA no mundo são chineses, com ampla liderança em tecnologias de código aberto.
A China possui franca liderança ao redor do mundo com iniciativas como a Organização Internacional de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO). Além disso, o país não parece ter a intenção de frear o desenvolvimento dessas tecnologias.
Na verdade, o discurso parece ser uma prerrogativa para tentar iniciar uma nova guerra econômica contra a própria China a partir dos EUA. Ao menos, é o que defende Darius Amodei, CEO da Anthropic. Em um ensaio publicado no X, ele defende que as primeiras medidas antes de regular o desenvolvimento da IA são:
“Impedir chips de IA de alto desempenho ou equipamentos de fabricação de semicondutores para a China, e combater rigorosamente as operações de contrabando de chips e o acesso remoto a data centers fora da China. Os chips serão o principal fator determinante da capacidade de IA da China”, afirma.
Ele também afirma que quer “combater a destilação não autorizada realizada por empresas em países autoritários. A destilação de modelos de ponta permite que empresas que estão atrás tecnologicamente reduzam essa diferença a uma fração do custo que seria necessário para desenvolver sua própria IA de forma independente”. Destilação, no caso, seria a acusação não fundamentada de que as IAs da China foram desenvolvidas com base em tecnologias dos EUA. A principal acusação parte da NSA, agência de inteligência dos EUA.
“Empresas e o governo dos EUA devem cooperar para tornar essas medidas o mais eficazes possível”, afirma Amodei.
Segundo o Global Times, um dos principais veículos de comunicação da China, trata-se de uma estratégia de “cartilha da Guerra Fria”.
Em coletiva nesta terça-feira (15), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Guo Jiakun afirmou que a China não planeja frear o desenvolvimento da IA, mas que ela sempre esteve pareada com parâmetros de segurança centrados na humanidade.
“À medida que a IA se desenvolve a uma velocidade incrível, torna-se ainda mais importante manter o compromisso de desenvolver a IA para fins positivos, para o bem e em benefício das pessoas, bem como calibrar a regulamentação e a governança da IA e fortalecer prontamente as salvaguardas para evitar que ela saia de controle”, afirmou.
“A China atribui igual importância ao desenvolvimento e à segurança no que diz respeito à IA. Levamos a sério os riscos inerentes e secundários da IA. Estamos comprometidos em respeitar os limites fundamentais de segurança e temos envidado esforços contínuos para aprimorar leis, regulamentos, políticas, normas de aplicação e regras éticas, a fim de prevenir o abuso e o uso indevido da IA e garantir que ela seja segura, confiável e controlável”, continuou.
“A IA é um patrimônio precioso e fruto da sabedoria coletiva compartilhada por toda a humanidade. O desenvolvimento e a governança da IA exigem a prática do verdadeiro multilateralismo, com todos os países trabalhando juntos para construir uma estrutura de governança global baseada em um amplo consenso. Nenhum país ou empresa, isoladamente, consegue desenvolver soluções eficazes. A China sempre apoia o papel da ONU como principal canal na governança global da IA e participa da governança multilateral da IA com uma postura responsável. A China está pronta para unir forças com todos os países para construir um sistema justo e equitativo de governança global da IA e desenvolver a IA para o bem e para todos”, completou Guo Jiakun.
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