Pacientes graves poderão usar remédio ainda sem registro no Brasil, prevê Projeto de Lei na Câmara

Pacientes graves poderão usar remédio ainda sem registro no Brasil, prevê Projeto de Lei na Câmara

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O Projeto de Lei (PL) 5281/2026, apresentado na Câmara dos Deputados, quer agilizar a liberação de remédio sem registro no Brasil para o uso compassivo. A proposta é voltada para pessoas com doenças graves ou risco iminente de morte que não possuem alternativas de tratamento disponíveis no país.

Diversas cartelas de comprimidos coloridos espalhadas sobre uma mesa. Para ilustrar matéria sobre remédios sem registro
Uso compassivo de remédio sem registro pode ter prazos mais curtos para análise da Anvisa, prevê PL 5281/2026. Foto: Pexels/Mehmetography

O texto visa impedir que a burocracia atrase o acesso a terapias promissoras. Além disso, a medida impõe prazos curtos para a análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O que estabelece a nova lei?

O PL 5281/2026 regulamenta a autorização para o uso compassivo de remédio sem registro em território nacional. Dessa forma, o objetivo principal é definir regras claras e estabelecer limites de tempo para a decisão final da Anvisa.

Além disso, a proposta busca proteger o direito à vida de pacientes debilitados. A medida garante um caminho legal mais rápido para a obtenção de tratamentos experimentais ou importados.

O caso de Thiago “Tiba” Camargos evidencia a urgência que pode envolver o uso compassivo de medicamentos. Após grave lesão medular, ele busca acesso à polilaminina em momento considerado decisivo para uma possível intervenção terapêutica. Situações como essa demonstram que, para pacientes sem alternativa satisfatória, a demora administrativa pode significar a perda da própria oportunidade de tratamento

diz a justificativa do projeto.

Quais são os prazos para a Anvisa analisar o remédio sem registro?

A Anvisa terá o prazo máximo de 10 dias corridos para analisar e decidir sobre o pedido de remédio sem registro. Contudo, caso o médico ateste risco iminente de morte ou dano irreversível, a urgência reduz esse prazo para 72 horas.

“§ 1º Transcorrido o prazo previsto no caput sem decisão conclusiva e fundamentada da Anvisa, o pedido será considerado tacitamente autorizado para todos os efeitos legais e sanitários relativos ao paciente nele identificado.”

Portanto, se o órgão regulador não emitir uma resposta fundamentada no tempo limite, a importação e o fornecimento do fármaco ficam liberados automaticamente para aquele paciente.

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Quais exigências o paciente deve cumprir para obter o remédio sem registro?

A concessão do remédio sem registro não será automática e dependerá do cumprimento de critérios rígidos. Assim, o paciente ou a equipe médica precisará apresentar documentação detalhada para validar o pedido:

  • Comprovação de doença grave, debilitante ou que ameace a vida do paciente;
  • Inexistência ou insuficiência de alternativa terapêutica eficaz já aprovada no país;
  • Laudo e indicação fundamentada do médico assistente responsável;
  • Consentimento livre e esclarecido assinado pelo paciente ou representante legal;
  • Dados científicos preliminares que comprovem a relação de risco e benefício do fármaco;
  • Autorização expressa e concordância do fabricante do medicamento para o fornecimento.

Como fica o papel da Anvisa no processo do remédio sem registro?

A Anvisa ficará responsável por regulamentar apenas os procedimentos operacionais para o cumprimento da lei. Entretanto, a agência fica expressamente proibida de criar regras adicionais que dificultem ou anulem os efeitos da autorização tácita.

A Anvisa regulamentará exclusivamente os procedimentos necessários ao cumprimento desta Lei, sendo vedada a criação de requisito, condição ou procedimento que impeça ou restrinja os efeitos da autorização tácita nela previstos

determina o Art. 4º.

Dessa forma, o órgão não poderá usar exigências burocráticas secundárias para travar a contagem dos prazos. A prioridade do texto é garantir a agilidade na entrega do tratamento ao doente.

O que acontece com os pedidos já em andamento?

Os processos de solicitação que já estiverem tramitando na Anvisa antes da aprovação da lei terão um prazo emergencial de análise. Consequentemente, a agência terá até 48 horas para emitir uma decisão definitiva sobre esses casos pendentes.

Várias cartelas de medicamentos e cápsulas de uso controlado sobrepostas. Para ilustrar matéria sobre remédios sem registro
Novo projeto de lei estabelece critérios rígidos e prazos de urgência para liberar remédio sem registro no país. Foto: Pexels/Pixabay

Se a Anvisa não manifestar uma decisão fundamentada dentro desse prazo de 48 horas, o remédio sem registro também será considerado tacitamente autorizado.

Os pedidos de autorização para uso compassivo protocolados antes da entrada em vigor desta Lei e que, nessa data, estejam pendentes de decisão definitiva da Anvisa deverão ser decididos no prazo máximo de 48 (quarenta e oito) horas, contado da entrada em vigor desta Lei

define o Art. 5º da proposta.

Quando a liberação para o remédio sem registro passa a valer?

As novas regras para a liberação do remédio sem registro entrarão em vigor imediatamente na data da publicação oficial da lei. No entanto, a proposta precisa tramitar e ser votada pelas comissões da Câmara e pelo Senado antes de seguir para sanção.

O projeto é de autoria do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL/SP).

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