O influenciador britânico de extrema direita Milo Yiannopoulos, de 41 anos, foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) na quinta-feira (27), no Aeroporto Internacional Louis Armstrong, em Nova Orleans, segundo apuração do TMZ.
O Departamento de Segurança Interna informou que Yiannopoulos entrou legalmente nos Estados Unidos em maio de 2019, mas permaneceu no país além do prazo permitido. Agora, está sujeito a uma ordem definitiva de deportação.
A detenção ocorreu enquanto Yiannopoulos, um dos mais ferrenhos defensores públicos das deportações promovidas pelo governo Trump, estava na Louisiana para assistir a um show de Kanye West, segundo a CBS News.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA confirmou que Yiannopoulos “optou por permanecer no país além do prazo permitido, violando as leis de nossa nação”.
Ele entrou legalmente nos Estados Unidos em maio de 2019, por Nova York, mas não regularizou sua situação migratória.
Em 22 de julho, um juiz de imigração emitiu uma ordem final de deportação contra Yiannopoulos depois que ele não compareceu a uma audiência sobre o tema.
Desde a detenção, ele permanece sob custódia do ICE enquanto aguarda a efetivação da deportação.
Segundo a CBS News, Yiannopoulos estava em Nova Orleans para assistir a um show de Kanye West quando foi interceptado pelos agentes de imigração.
Ao comentar a prisão, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna aproveitou para fazer um recado mais amplo aos imigrantes que permanecem irregularmente nos Estados Unidos:
“Estar detido é uma escolha. Incentivamos todos os imigrantes ilegais a assumirem o controle de sua saída com o aplicativo CBP Home. Os Estados Unidos estão oferecendo US$ 3.000 e uma passagem aérea gratuita para imigrantes ilegais que se autodeportarem agora.”
Até o momento, ninguém em nome de Yiannopoulos comentou a detenção. Também não há informações sobre se ele já constituiu advogados.
Yiannopoulos construiu sua projeção pública como um dos provocadores da extrema direita americana.
Ele foi editor do Breitbart, site norte-americano associado à direita radical e que já publicou teorias da conspiração e informações falsas.
Sua retórica contra a imigração irregular era explícita. Yiannopoulos chegou a defender publicamente que o ICE instalasse postos de controle em supermercados, postos de gasolina, centros comerciais e prédios governamentais.
Em junho de 2023, escreveu nas redes sociais:
“A Califórnia precisa de postos de controle do ICE nas entradas de supermercados, postos de gasolina, centros comerciais, cruzamentos e prédios governamentais, com deportação imediata para qualquer pessoa que não possa comprovar que está legalmente nos EUA.”
Três meses depois, em setembro de 2023, Yiannopoulos voltou ao tema e defendeu “imunidade legal total para agentes do ICE quando estiverem em serviço”.
As declarações ganham outra dimensão diante de sua atual situação migratória. Segundo o governo dos Estados Unidos, Yiannopoulos permaneceu no país além do período autorizado e agora enfrenta a deportação pelo mesmo órgão cuja atuação defendia publicamente.
Nos últimos anos, Yiannopoulos esteve envolvido em algumas das principais articulações da direita radical americana.
Ele trabalhou por dois anos como chefe de gabinete de Kanye West e participou das operações políticas ligadas à campanha presidencial do artista nas eleições de 2024, antes do rompimento profissional entre os dois.
Yiannopoulos também trabalhou para a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que renunciou ao cargo em janeiro deste ano após romper com Donald Trump.
Sua ligação com figuras da direita americana também chegou ao círculo político do atual presidente.
Segundo revelou o New York Post, Yiannopoulos organizou, em 2022, um jantar entre Donald Trump, Kanye West e o streamer Nick Fuentes na residência de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida.
Fuentes é conhecido por defender ideias supremacistas brancas, e sua presença no encontro provocou forte repercussão política nos Estados Unidos.
Após as críticas, Trump se manifestou nas redes sociais e descreveu a refeição como “rápida” e “sem incidentes”.
O episódio mostrou o trânsito de Yiannopoulos entre personagens da direita radical americana e figuras próximas ao movimento político de Trump.
Até o momento, nenhuma das figuras públicas de seu círculo político mencionadas na reportagem se manifestou sobre sua detenção.
Agora, Yiannopoulos aguarda sob custódia do ICE o cumprimento da ordem de deportação emitida contra ele em julho.
A situação ocorre anos depois de o próprio influenciador defender “deportação imediata” para pessoas incapazes de comprovar permanência legal nos Estados Unidos.
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