El Niño: 709 ambulâncias e 478 UBS reforçam SUS no Sul para enfrentar chuvas e enchentes

El Niño: 709 ambulâncias e 478 UBS reforçam SUS no Sul para enfrentar chuvas e enchentes

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O Ministério da Saúde prepara uma série de ações para enfrentar os impactos do El Niño no Sul do Brasil, com atenção especial ao risco de chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e interrupção de serviços de saúde. A previsão apresentada pelo governo federal considera um período crítico entre outubro de 2026 e março de 2027, com possibilidade de eventos extremos em diferentes regiões do país.

Ministério da Saúde apresenta plano de preparação do SUS para os impactos do El Niño no Sul do Brasil que está no radar para risco de fortes chuvas e enchentes.
Ministério da Saúde apresentou ações de preparação do SUS para enfrentar chuvas intensas, enchentes e outros eventos climáticos extremos no Sul do país. Foto ilustrativa: Reprodução/ Defesa Civil de São Paulo.

No Sul, o Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul estão entre os estados considerados prioritários para ações relacionadas às chuvas. Segundo o Ministério da Saúde, a preparação envolve desde o monitoramento climático até o reforço da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) para atender a população durante possíveis emergências.

A pasta também informou que os efeitos do fenômeno não devem ocorrer da mesma forma em todo o território nacional. Por isso, os planos de prevenção e resposta são elaborados de acordo com as características climáticas, históricas e sociais de cada região.

“O que nós estamos trabalhando é fazer com que o SUS deixe de trabalhar somente na resposta. Que seja mais antecipatório”

afirmou Padilha.

Paraná está entre os estados prioritários para chuvas intensas no Sul do Brasil por atuação do El Niño

O Ministério da Saúde incluiu o Paraná entre os estados do Sul e Sudeste que exigem atenção especial diante da possibilidade de chuvas intensas, enchentes e deslizamentos. A primavera é apontada como um período de maior preocupação para a ocorrência de temporais na região.

Ao falar sobre a preparação para novos eventos extremos, Padilha citou a experiência do Rio Grande do Sul durante as enchentes de 2024. Segundo o ministro, “o Rio Grande do Sul está mais preparado este ano para os impactos das mudanças climáticas do que estava naquele momento lá atrás”.

No caso do Sul, os principais riscos à saúde são:

  • Afogamentos;
  • Ferimentos graves e acidentes;
  • Deslizamentos e enchentes;
  • Leptospirose e outras doenças relacionadas à água contaminada;
  • Gastroenterites, hepatite A e outras doenças transmitidas pela água ou por alimentos;
  • Acidentes com animais peçonhentos;
  • Interrupção do fornecimento de medicamentos;
  • Dificuldade de acesso a tratamentos contínuos;
  • Aumento de casos de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

A pasta também alertou que unidades básicas de saúde, hospitais e outros serviços podem ser atingidos diretamente pelas chuvas. Além disso, a interrupção de estradas e o bloqueio de acessos podem dificultar a chegada de pacientes, profissionais, medicamentos e insumos.

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Chuva intensa e alagamentos estão entre os possíveis impactos associados às alterações nos padrões climáticos provocadas pelo El Niño. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil.

Curitiba terá Centro de Informação Saúde e Clima

Entre as medidas anunciadas está a implantação de Centros de Informação Saúde e Clima, que vão reunir dados meteorológicos, epidemiológicos, ambientais e de saúde para apoiar decisões dos gestores públicos.

Curitiba está entre as cidades escolhidas para receber uma estrutura voltada ao monitoramento de eventos climáticos, como ondas de frio e calor. Porto Alegre também conta com um centro voltado ao acompanhamento das condições climáticas e dos do El Niño impactos na saúde da população do Sul do Brasil.

De acordo com o Ministério da Saúde, esses centros devem integrar informações de diferentes órgãos, incluindo áreas de vigilância em saúde, Defesa Civil e serviços meteorológicos. A proposta é identificar previamente os locais mais vulneráveis e orientar a preparação da rede de atendimento.

A pasta também informou que o SUS conta com painéis de monitoramento da qualidade da água, desastres e calor extremo. O painel de calor extremo permite acompanhar a previsão de temperatura para os cinco dias seguintes e cruzar os dados com indicadores de vulnerabilidade, como falta de saneamento e dificuldade de acesso aos serviços de saúde.

Força Nacional do SUS terá atuação regionalizada

O Ministério da Saúde anunciou o fortalecimento da Força Nacional do SUS, com a criação de bases regionais para ampliar a capacidade de resposta a emergências. A meta é que equipes consigam atuar em até 12 horas após o acionamento em situações de crise.

A base da Força Nacional do SUS em Porto Alegre é uma das estruturas destinadas ao atendimento de ocorrências no Sul. Segundo o governo federal, a unidade atua em parceria com instituições locais e pode apoiar municípios atingidos por enchentes, deslizamentos e outros desastres.

“A gente precisa manter a situação de preocupação, de alerta, de vigilância permanente”

afirmou o ministro.

Em 2026, a Força Nacional do SUS já teria realizado 11 missões em oito estados, sendo cinco delas relacionadas a desastres. Ao todo, 139 profissionais de 14 categorias participaram das ações, que contabilizaram 4.899 atendimentos, conforme os dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

A pasta também informou que está preparando planos específicos para chuvas intensas, além de linhas de cuidado em saúde mental para o período posterior aos desastres.

SUS terá unidades resilientes e novas ambulâncias

Outra frente apresentada pelo Ministério da Saúde envolve investimentos em estruturas capazes de resistir melhor a eventos climáticos extremos.

Na região Sul, estão previstas ou já foram entregues aproximadamente 478 Unidades Básicas de Saúde com estruturas resilientes, adaptadas para enfrentar condições climáticas adversas. O modelo considera aspectos de arquitetura e engenharia para reduzir o risco de interrupção dos atendimentos.

O governo também anunciou a ampliação da frota do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Ao todo, são 709 novas ambulâncias destinadas aos três estados do Sul, segundo os dados apresentados na coletiva.

A intenção é melhorar o deslocamento de equipes e pacientes em situações de emergência, especialmente em locais onde estradas e acessos podem ser prejudicados por alagamentos ou deslizamentos.

O Ministério da Saúde também informou que estão sendo ampliadas ações voltadas ao abastecimento de água potável em territórios indígenas, considerados especialmente vulneráveis aos efeitos de eventos climáticos extremos.

El Niño pode aumentar riscos de doenças e interromper tratamentos

Além dos efeitos imediatos das enchentes, o Ministério da Saúde alertou para consequências indiretas do El Niño. A ocorrência de chuvas intensas, calor, mudanças na qualidade da água e interrupções logísticas pode favorecer o aumento de doenças e dificultar o acompanhamento de pacientes com problemas crônicos.

Entre as preocupações estão doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e chikungunya, doenças respiratórias, problemas cardiovasculares, desidratação e agravamento de condições como diabetes, hipertensão e doenças renais.

Durante a coletiva, o ministro Alexandre Padilha afirmou que o governo pretende reforçar o planejamento para arboviroses, apesar da redução da incidência de dengue no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.

A orientação do Ministério é que estados e municípios utilizem os dados climáticos e epidemiológicos para antecipar a necessidade de medicamentos, equipes, leitos e atendimento às populações mais vulneráveis.

O governo também defende que a preparação não fique restrita à área da saúde. A proposta do AdaptaSUS é integrar gestores da saúde a outras áreas, como meio ambiente, infraestrutura, assistência social e Defesa Civil, para reduzir os impactos dos eventos extremos antes que eles aconteçam.

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