“Uma aspirina pode fazer a diferença”. Foi com essa frase que Benigno Pérez, cônsul-geral de Cuba em São Paulo, encerrou sua resposta à Fórum sobre a situação enfrentada pelo país caribenho diante das sanções e do bloqueio petroleiro imposto pelos Estados Unidos que tem causado apagões generalizados no país há meses.
A declaração ocorreu nesta terça-feira (9), durante entrevista concedida por Pérez a mídias independentes em uma atividade organizada pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Questionado sobre o papel que o BRICS e os países do Sul Global poderiam desempenhar para ajudar Cuba, o diplomata destacou a necessidade de medidas concretas de solidariedade.
“Nós, os cubanos, o povo cubano, o governo cubano, estamos muito agradecidos pela solidariedade dos povos do mundo”, afirmou.
Para o cônsul-geral, essa solidariedade popular é importante também como demonstração de que o governo norte-americano não conseguiu isolar completamente a ilha.
“É muito importante que os Estados Unidos saibam que Cuba não está sozinha. Que Cuba tem a solidariedade internacional”, disse.
Pérez citou como exemplo um colóquio internacional realizado em agosto em razão dos 100 anos do nascimento de Fidel Castro. Segundo ele, o evento reuniu cerca de mil participantes de diferentes países, com uma participação significativa de brasileiros.
O diplomata também destacou ações de solidariedade realizadas por brasileiros e fez questão de ressaltar que muitas delas partem de pessoas sem grandes recursos financeiros.
“Nós estamos particularmente muito agradecidos ao povo brasileiro”, afirmou.
Pérez ressaltou que muitos dos apoiadores de Cuba são pessoas pobres e que pequenas contribuições podem ter grande importância diante das dificuldades enfrentadas pela população cubana.
“Porque a maioria dos nossos amigos é pobre. Não tem muito dinheiro. Não são donos de fábricas nem de bancos. E sabemos o que significa para um brasileiro pobre 5 reais, 10 reais, 20 reais. O importante é a ação”, declarou.
“Recebemos do povo brasileiro não apenas o incentivo, não apenas a amizade, mas também medicamentos, dinheiro para comprar painéis solares”, afirmou.
Entre as necessidades mencionadas por Pérez está o fornecimento de petróleo. O diplomata afirmou que Cuba precisa do combustível e lembrou que o país nunca comprou petróleo do Brasil.
“Cuba nunca comprou petróleo do Brasil, mas precisamos de petróleo”, disse.
A afirmação ocorreu em meio à discussão sobre quais medidas poderiam ser adotadas pelo Brasil e por outros países para amenizar os efeitos das restrições impostas a Cuba.
Para Pérez, a solidariedade não deve ficar apenas no campo simbólico. É necessário ampliar as formas de apoio material ao país.
Ao abordar especificamente o BRICS, Pérez defendeu uma atuação mais efetiva do bloco diante do cenário internacional.
“É claro que esperamos dos BRICS. Os BRICS nasceram para dar um equilíbrio ao mundo”, afirmou.
Na avaliação do cônsul-geral, os países que integram o agrupamento possuem peso econômico e político suficiente para desempenhar um papel relevante na construção de uma ordem internacional mais multipolar.
“Os países fundadores são todos potências ou grandes países”, afirmou.
Pérez defendeu que o BRICS contribua para conter o que classificou como “fascismo dos Estados Unidos”, mas fez uma ressalva: não se trata, segundo ele, de uma atuação militar.
“Não militarmente. Sabemos que isso não é possível pelos BRICS”, declarou.
Para o diplomata, a principal contribuição do bloco estaria na construção de um equilíbrio internacional diante da influência norte-americana.
“Mas os BRICS podem desempenhar um papel importante no equilíbrio, em continuar avançando neste mundo multipolar, ao qual se opõe o império norte-americano”, afirmou.
“Cuba aspira a receber ajuda, créditos e ajuda dos BRICS”, declarou.
O diplomata também mencionou a próxima cúpula do grupo, que, segundo ele, contará com a presença de uma delegação cubana.
“Nos próximos dias, vai acontecer uma cúpula dos BRICS na Índia. Uma delegação cubana estará lá”, afirmou. “Esperamos ajuda”, clamou.
Ao concluir sua resposta, o cônsul-geral voltou a agradecer a solidariedade recebida dos brasileiros, mas afirmou que a situação enfrentada por Cuba exige uma ampliação desse apoio.
“E repito: estamos muito agradecidos aos brasileiros, mas precisamos de mais”, disse.
Pérez afirmou que os Estados Unidos buscam “isolar e asfixiar” Cuba e, nesse contexto, ressaltou que mesmo uma ajuda aparentemente pequena pode ter impacto.
“Querem nos isolar e asfixiar. E uma aspirina pode fazer a diferença”, concluiu.
Veja a entrevista:
No início do ano, Renato Rovai, diretor da Fórum, e Breno Altman, diretor do Opera Mundi, organizaram uma campanha de arrecadação de doações para a compra de medicamentos destinados à população cubana. Em contato com o Ministério da Saúde de Cuba, os jornalistas obtiveram uma lista de remédios considerados urgentes. Os itens adquiridos incluem medicamentos pediátricos, antibióticos e anti-inflamatórios.
Cuba vive neste momento um bloqueio naval dos EUA, que visam o colapso energético do país socialista. O país, sob embargo econômico estadunidense há mais de 60 anos, vive um dos momentos mais críticos de sua história.
Atualmente, o MST mantém uma campanha de apoio contínuo a Cuba. Para doar, este é o pix:
PIX – CNPJ: 11.586.301/0001-65
Agência: 1231
Operação: 1292
Conta Corrente: 000577559399-1
Instituto Cultivar
Caixa Econômica Federal
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