
O Google vai exigir que aplicativos para Android tenham código otimizado para usar menos RAM, impondo limites do recurso no sistema operacional. A empresa menciona a crise dos chips de memória como justificativa para a medida.
Quem não seguir as diretrizes poderá sofrer penalidades técnicas (apps travando ou fechando) ou de distribuição (menos visibilidade na Play Store). As políticas foram anunciadas na quarta-feira (26/08) e começam a valer em fevereiro de 2027.
A empresa vai estabelecer limites para diferentes tipos de uso de memória. O uso dinâmico de memória engloba o armazenamento de dados do aplicativo, sejam ativos ou comprimidos, enquanto o uso de memória para bitmap tem relação com os gráficos exibidos.
Os valores variam de acordo com a quantidade de RAM física do aparelho e o estado do aplicativo. Para o uso dinâmico, a faixa mais baixa é a de aparelhos com 4 GB de RAM. Nela, um aplicativo deve não usar mais que 2 GB de RAM em primeiro plano ou 1 GB em segundo plano. Já a categoria mais alta é a de 16 GB de RAM, que terá limites de 4,25 GB em primeiro plano ou 2 GB em segundo plano.
Os números são maiores no caso de games: 2,25 GB de limite em aparelhos de 4 GB, e 5 GB em produtos de 16 GB.
O uso de memória para bitmap terá limites apenas quando os apps estiverem em segundo plano. Faz sentido: se esse uso é visual, tirar o app da tela deveria reduzir o espaço alocado para ele. Nesse caso, o consumo não deve passar de 200 MB quando em segundo plano ou de 400 MB quando em cache.
Com relação à otimização de código, o Google vai exigir uma redução de 25% no código DEX, por meio de remoção de códigos não utilizados, encurtamento de instruções ou redução de nomes de classes.

Nos últimos anos, investimentos bilionários na construção de data centers levaram algumas empresas a comprar grande parte da produção de chips de memória. Como consequência, as principais fornecedoras direcionaram toda a fabricação para os componentes usados no treinamento e na inferência de inteligência artificial.
Sobrou pouco para outros ramos da indústria de eletrônicos, e esse pouco está bem mais caro. As consequências são variadas: aparelhos mais fracos, queda nas vendas, produtos mais caros, linhas de produção paradas, categorias quase extintas e lucro recorde entre as fabricantes de chips.
Essa não é simplesmente uma questão de contexto. O Google aponta esse motivo de maneira explícita: “A indústria de dispositivos móveis está passando por restrições de fornecimento de hardware significativas, que estão alterando a disponibilidade de memória, o que, com o tempo, pode impactar negativamente a experiência dos usuários.”
Como nota o The Verge, o próprio Google teve que lidar com isso na sua linha de smartphones: o Pixel 11 Pro e o Pixel 11 Pro XL, lançados em agosto de 2026, vêm com menos RAM que a geração anterior. Nesse caso, nem dá para colocar a culpa nos outros, já que a empresa deve investir cerca de US$ 200 bilhões na construção de infraestrutura para IA.
Com informações do TechCrunch
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