Colômbia: ministro vai à praia após terremoto e presidente distribui bolas em meio a escombros

Colômbia: ministro vai à praia após terremoto e presidente distribui bolas em meio a escombros

  • 18 de agosto de 2026
  • Mundo
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O recém-eleito presidente da Colômbia, o extremista de direita Abelardo de la Espriella, enfrenta uma crise política em meio aos escombros do terremoto de magnitude 7,4 que deixou mais de 300 mortos e destruiu quase 27 mil casas. Enquanto milhares de desabrigados dormem ao relento, atitudes controversas do alto escalão do governo geraram indignação no país.

Uma das maiores polêmicas envolve o ministro da Habitação, Jaime Andrés Beltrán. Uma semana após assumir o cargo e com o país ainda sofrendo os impactos do desastre natural, ele foi flagrado com a família em uma praia caribenha. Ao tentar se justificar, Beltrán tentou justificar: “Os servidores públicos priorizaram o trabalho e negligenciaram suas famílias, embora a família seja igualmente importante. Somos servidores públicos, mas também somos pais, filhos e cônjuges”.

A oposição de esquerda já articula uma moção de censura. A senadora Carol Borda resumiu a indignação. “Que nível doloroso de desconexão quando a ansiedade de milhares de famílias é ter suas casas destruídas e não saber onde vão dormir”, afirmou. Até aliados de direita, como o senador Andrés Forero, criticaram a postura do ministro. “Ao permanecer no cargo, ele está envolvendo o presidente Abelardo na resolução de um problema com o qual não tem nada a ver e sujeitando o governo a um desgaste prematuro e desnecessário”.

Apesar da pressão, Beltrán recusou-se a pedir desculpas, disse que continuará “a ser ministro”. “A mensagem do presidente é que, assim como construímos casas, o mais importante é construir lares”, apontou. Ele alegou que mora longe da família e que “fazemos questão de nos encontrar de vez em quando”. “Quero enfatizar que não estava de férias. Queria passar algumas horas com minha esposa e filhos, que não via há vários dias.”

Bolas de futebol e aulas virtuais

O próprio presidente também foi alvo de indignação ao visitar o departamento de Chocó, um dos mais pobres da Colômbia. De la Espriella distribuiu bolas de futebol com seu slogan de campanha: “Firme pela pátria”.

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A atitude gerou revolta imediata das pessoas. “Vinte e seis escolas desabaram, o hospital está sobrecarregado, e como é possível que as pessoas estejam recebendo uma bola?”, gritou um morador, conforme o jornal La Nacion.

Outra medida criticada foi a proposta de aulas virtuais para a região afetada. “As aulas virtuais não funcionam porque a região do Pacífico carece de conectividade e as crianças de lá não têm condições de comprar celulares. Portanto, as aulas virtuais são inúteis para nós”.

Colômbia em Estado de Emergência

O presidente anunciou um Estado de Emergência Econômica para gerir os 9,5 bilhões de dólares necessários para a reconstrução e confirmou o recebimento de 200 milhões de dólares do Banco Mundial para “atender às necessidades mais urgentes das vítimas deste desastre natural”. O mandatário garantiu que “enquanto houver possibilidade de encontrar ao menos um compatriota com vida, as equipes de busca e resgate permanecerão no local”.

“Acreditem, este desafio não nos vencerá; os colombianos estão acostumados a se superar diante da adversidade. Permanecerei na linha de frente desta emergência 24 horas por dia”, prometeu. De la Espriella

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