O governo da Venezuela assinou, nesta quinta-feira (13), acordos de extração de gás natural com a britânica British Petroleum (BP), a XRG (braço de investimentos internacionais da estatal petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, ADNOC) e a UCC Holding, do Catar.
As multinacionais formam um consórcio que pretende desenvolver até 4 trilhões de pés cúbicos (TCF) de gás natural no campo de Lorán, localizado na Plataforma Deltana, próximo à fronteira marítima com Trinidad e Tobago, no Atlântico.
Lorán faz parte de uma estrutura geológica transfronteiriça conhecida como Loran-Manatee, compartilhada pela Venezuela com Trinidad e Tobago.
A estrutura foi identificada há décadas, e os países tentam estabelecer um modelo de desenvolvimento conjunto para os campos de gás há anos.
Agora, o consórcio obteve direitos da Venezuela para desenvolver até 4 trilhões de pés cúbicos (TCF) de gás natural no campo, cujas reservas estão estimadas em aproximadamente 7,3 TCF.
A BP será a operadora da segunda fase, com participações iguais entre as três empresas.
A assinatura ocorre pouco mais de dois meses depois de a Venezuela ter concedido à Shell a licença para a primeira fase de desenvolvimento do campo, em junho de 2026.
O projeto é considerado estratégico porque pode ajudar a Venezuela a transformar uma parcela de suas reservas de gás em produção comercial, primeiro para atender à demanda doméstica e, posteriormente, para abastecer mercados internacionais, especialmente no Caribe.
A Shell também pretende aproveitar a proximidade da estrutura com a infraestrutura energética de Trinidad e Tobago. Segundo a Reuters, a companhia planeja iniciar a produção de gás em 2027 e ampliou a capacidade do gasoduto que conecta o campo à infraestrutura trinitária de Beachfield de 700 milhões para 1 bilhão de pés cúbicos por dia.
Já a BP havia assinado, em abril, um memorando de entendimento com o governo venezuelano para avaliar oportunidades no próprio campo Lorán e no projeto de gás Cocuina-Manakin, também localizado na Plataforma Deltana.
O campo detém uma das maiores reservas provadas de gás natural do mundo. De acordo com dados do World Energy Review 2026, da italiana Eni, a Venezuela tinha cerca de 5.510 bilhões de metros cúbicos de reservas de gás natural ao fim de 2025.
Segundo a EIA, aproximadamente 80% do gás produzido no país é gás associado ao petróleo como subproduto, e cerca de 30% do gás produzido é reinjetado em campos petrolíferos para ajudar na recuperação de petróleo.
No caso de Lorán, no entanto, o gás é o principal produto do reservatório, o que pode significar uma vantagem estratégica para as companhias, já que a Venezuela ainda não tem participação relevante no comércio mundial de GNL.
A assinatura da Fase II de exploração do campo deve reconfigurar o setor energético venezuelano em direção a uma produção mais variada de hidrocarbonetos. De acordo com Paula Henao, a ministra de Hidrocarbonetos do país, o objetivo inicial é utilizar o gás para abastecer a demanda nacional e só depois partir para os mercados externos. O primeiro deles deve ser o Caribe.
O Panorama em Foco é um site de notícias comprometido em trazer informações relevantes e atuais para nossos leitores.
Nossa equipe de jornalistas e colunistas está sempre a procura das notícias mais importantes para que você possa estar sempre informado sobre o que está acontecendo no mundo.
Aqui, o mundo está sempre em foco!
Últimas Notícias
O Panorama em Foco é um site de notícias comprometido em trazer informações relevantes e atuais para nossos leitores.
Nossa equipe de jornalistas e colunistas está sempre a procura das notícias mais importantes para que você possa estar sempre informado sobre o que está acontecendo no mundo.
Aqui, o mundo está sempre em foco!