Venezuela fecha acordo bilionário com estrangeiras para explorar um dos maiores campos de gás do mundo

Venezuela fecha acordo bilionário com estrangeiras para explorar um dos maiores campos de gás do mundo

  • 14 de agosto de 2026
  • Mundo
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O governo da Venezuela assinou, nesta quinta-feira (13), acordos de extração de gás natural com a britânica British Petroleum (BP), a XRG (braço de investimentos internacionais da estatal petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, ADNOC) e a UCC Holding, do Catar.

As multinacionais formam um consórcio que pretende desenvolver até 4 trilhões de pés cúbicos (TCF) de gás natural no campo de Lorán, localizado na Plataforma Deltana, próximo à fronteira marítima com Trinidad e Tobago, no Atlântico.

Lorán faz parte de uma estrutura geológica transfronteiriça conhecida como Loran-Manatee, compartilhada pela Venezuela com Trinidad e Tobago.

A estrutura foi identificada há décadas, e os países tentam estabelecer um modelo de desenvolvimento conjunto para os campos de gás há anos.

Agora, o consórcio obteve direitos da Venezuela para desenvolver até 4 trilhões de pés cúbicos (TCF) de gás natural no campo, cujas reservas estão estimadas em aproximadamente 7,3 TCF.

A BP será a operadora da segunda fase, com participações iguais entre as três empresas.

A assinatura ocorre pouco mais de dois meses depois de a Venezuela ter concedido à Shell a licença para a primeira fase de desenvolvimento do campo, em junho de 2026.

O projeto é considerado estratégico porque pode ajudar a Venezuela a transformar uma parcela de suas reservas de gás em produção comercial, primeiro para atender à demanda doméstica e, posteriormente, para abastecer mercados internacionais, especialmente no Caribe.

A Shell também pretende aproveitar a proximidade da estrutura com a infraestrutura energética de Trinidad e Tobago. Segundo a Reuters, a companhia planeja iniciar a produção de gás em 2027 e ampliou a capacidade do gasoduto que conecta o campo à infraestrutura trinitária de Beachfield de 700 milhões para 1 bilhão de pés cúbicos por dia.

Já a BP havia assinado, em abril, um memorando de entendimento com o governo venezuelano para avaliar oportunidades no próprio campo Lorán e no projeto de gás Cocuina-Manakin, também localizado na Plataforma Deltana.

O campo detém uma das maiores reservas provadas de gás natural do mundo. De acordo com dados do World Energy Review 2026, da italiana Eni, a Venezuela tinha cerca de 5.510 bilhões de metros cúbicos de reservas de gás natural ao fim de 2025.

Segundo a EIA, aproximadamente 80% do gás produzido no país é gás associado ao petróleo como subproduto, e cerca de 30% do gás produzido é reinjetado em campos petrolíferos para ajudar na recuperação de petróleo.

No caso de Lorán, no entanto, o gás é o principal produto do reservatório, o que pode significar uma vantagem estratégica para as companhias, já que a Venezuela ainda não tem participação relevante no comércio mundial de GNL.

A assinatura da Fase II de exploração do campo deve reconfigurar o setor energético venezuelano em direção a uma produção mais variada de hidrocarbonetos. De acordo com Paula Henao, a ministra de Hidrocarbonetos do país, o objetivo inicial é utilizar o gás para abastecer a demanda nacional e só depois partir para os mercados externos. O primeiro deles deve ser o Caribe.

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