Deputado alerta para “operações em terra” dos EUA na América Latina: “o perigo é real”

Deputado alerta para “operações em terra” dos EUA na América Latina: “o perigo é real”

  • 14 de agosto de 2026
  • Mundo
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O deputado federal Ivan Valente (PSOL) usou as suas redes sociais na manhã desta sexta-feira (14), para alertar sobre o perigo iminente de uma intervenção terrestre dos Estados Unidos na América Latina. “ALERTA TOTAL! O secretário de guerra, Pete Hegseth, disse que os EUA planejam realizar OPERAÇÕES EM TERRA na América Latina”, afirmou.

Segundo o deputado, “Trump quer usar o crime organizado como desculpa para intervenções no continente e está estabelecendo acordos com governos de direita de países vizinhos do Brasil. O perigo é real! É preciso lutar para eleger Lula no primeiro turno e enfrentar essa ameaça”.

https://x.com/IvanValente/status/2088175928580940084

A operação

O secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, afirmou na quarta-feira (12), que Washington trabalha com a Colômbia, o Equador e outros países aliados para realizar operações contra grupos classificados como terroristas pelo governo de Donald Trump.

A declaração sinaliza uma possível mudança de escala na estratégia adotada pelos Estados Unidos desde setembro de 2025, quando começaram ataques contra embarcações que, segundo Washington, seriam utilizadas por organizações de narcotráfico em águas internacionais. De acordo com o governo americano, pelo menos 215 pessoas morreram nas operações realizadas no Caribe e no Pacífico.

“Será o mesmo efeito em terra”, disse Hegseth. O secretário afirmou que os Estados Unidos pretendem atuar “onde quer que” essas organizações operem e quando suas atividades representarem ameaça aos interesses americanos ou de países aliados.

Hegseth comparou os grupos de narcotráfico a organizações terroristas como o Estado Islâmico (ISIS) e a Al-Qaeda. “Essas organizações são um alvo, assim como o ISIS ou a Al-Qaeda”, declarou.

Cocaína e fentanil estão entre os alvos

A nova etapa da estratégia deve concentrar-se principalmente em organizações envolvidas no tráfico de cocaína e fentanil. Segundo Hegseth, remanescentes de grupos guerrilheiros colombianos também poderão ser considerados alvos das operações.

O secretário afirmou que Washington não pretende depender exclusivamente da prisão e do julgamento dos integrantes dessas organizações. “Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano”, disse.

A administração Trump vem ampliando o uso da classificação de organização terrorista para grupos associados ao narcotráfico na América Latina. Em junho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das principais organizações criminosas brasileiras, foram incluídos pelos Estados Unidos nessa categoria.

Apesar da classificação, o Brasil não faz parte da coalizão liderada por Washington para combater os cartéis e outras organizações de narcotráfico na região.

Coalizão reúne 19 países

A aliança formada pelos Estados Unidos reúne 19 países das Américas. Entre os participantes estão Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru. A Colômbia aderiu à iniciativa nesta semana.

O México, apesar de abrigar alguns dos principais cartéis de drogas da América Latina, também não integra a coalizão.

A participação dos países aliados é considerada parte central da estratégia americana, que busca combinar cooperação militar e operações contra organizações classificadas por Washington como terroristas.

Estratégia passa do mar para a terra

A possibilidade de operações terrestres ocorre depois de meses de ataques americanos contra embarcações que Washington afirma estarem envolvidas no tráfico de drogas. A campanha começou em setembro de 2025 e se concentrou principalmente no Caribe e no leste do Pacífico.

Segundo Hegseth, os Estados Unidos pretendem desenvolver com os países aliados uma capacidade operacional em terra semelhante à utilizada nas ações contra as embarcações.

O secretário fez as declarações durante uma visita ao Panamá, onde acompanha exercícios militares anuais que reúnem cerca de 20 países. A fala ocorreu em uma região não identificada da selva panamenha.

 

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