Cancelar plano de saúde pode ficar mais simples, sem multa nem aviso prévio de 30 dias, propõe Projeto de Lei

Cancelar plano de saúde pode ficar mais simples, sem multa nem aviso prévio de 30 dias, propõe Projeto de Lei

Compartilhe essa notícia:

O processo para cancelar plano de saúde pode se tornar imediato e livre de cobranças extras para os consumidores brasileiros. Apresentado no dia 11 de agosto de 2026 na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 4998/2026, propõe proibir que as operadoras exijam aviso prévio de 30 ou 60 dias ou cobrem novas mensalidades após o usuário solicitar a rescisão do contrato.

Homem rasgando contrato de papel ao meio em matéria sobre como cancelar plano de saúde sem pagar multas indevidas.
Inspirado em entendimento do STJ, projeto reforça o direito do consumidor de cancelar plano de saúde sem taxações. Foto: Divulgação/Serasa

Conforme a proposta, a medida altera a Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/1998) para considerar nula qualquer cláusula contratual que imponha taxas após o pedido do cliente.

Enquanto a proposta que simplifica a saída do convênio aguarda despacho inicial na Mesa Diretora, a discussão gera opiniões divergentes: de um lado, usuários comemoram a possibilidade de fim de taxas consideradas abusivas; do outro, operadoras analisam possíveis impactos na receita.

Exigência de aviso prévio para cancelar plano de saúde impõe vantagem excessiva às operadoras

Para embasar a mudança na legislação, a proposta destaca que manter o cliente preso a prazos e mensalidades adicionais fere o equilíbrio das relações de consumo.

“A decisão reafirma a incidência dos princípios da boa-fé objetiva, do equilíbrio contratual e da vedação às cláusulas abusivas nas relações de consumo envolvendo planos privados de assistência à saúde”

aponta o texto de justificativa do projeto.

O que muda na lei ao cancelar plano de saúde?

Atualmente, ao pedir o encerramento do contrato, muitos consumidores e empresas são surpreendidos com a exigência de cumprir um aviso prévio, que costuma variar entre 30 e 60 dias, e com a cobrança das mensalidades referentes a esse período.

No entanto, a nova proposta altera diretamente o artigo 13 da Lei de Planos de Saúde (Lei nº 9.656/1998). Com a mudança, todas as cláusulas que condicionem o fim do vínculo ao aviso prévio ou que cobrem qualquer contraprestação financeira após o pedido formal do cliente passam a ser consideradas nulas.

Na prática, a manifestação de vontade do contratante passa a encerrar a cobrança imediatamente.

Para fundamentar a mudança, o projeto se inspira em um entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconheceu que a exigência de aviso prévio gera vantagem excessiva para as operadoras e fere os direitos do consumidor.

O que dizem os consumidores sobre o encerramento sem taxas?

Para os beneficiários, a alteração proposta na Câmara vem em boa hora para evitar cobranças indevidas.

Afinal, a aprovação de uma regra clara traria o respaldo jurídico que muitos consumidores sentem falta na hora de negociar com as operadoras.

Mulher de costas segurando e observando uma carteirinha de convênio médico verde e amarela ao cancelar plano de saúde.
Beneficiários cobram respaldo jurídico e o fim de taxas de aviso prévio ao solicitar ou cancelar plano de saúde junto às operadoras. Foto: Acervo Pessoal

A vendedora Crislaine Domingues, cliente do plano de saúde Unimed, aprova o serviço do seu convênio, no qual inclusive teve o acompanhamento do nascimento do primeiro filho, mas defende que a cobrança de prazos adicionais no encerramento é descabida.

“Gosto muito da cobertura do meu plano e não penso em trocar no momento, até porque tive meu filho usando o atendimento deles. Porém, se um dia eu precisar encerrar o contrato, não acho justo ter que pagar por um período que não usei”

afirmou a vendedora.

“Seria ótimo ter uma lei forte que dê esse respaldo direto ao consumidor para que a gente não seja pego de surpresa”

destaca Crislaine.

Operadoras ainda não se manifestam sobre cancelamentos sem taxas

A reportagem da Banda B entrou em contato com operadoras de saúde e entidades representativas do setor para pedir um posicionamento sobre as mudanças propostas no Projeto de Lei. Porém, até o fechamento desta matéria, não houve retorno aos pedidos de entrevista.

No entanto, o espaço segue aberto para a manifestação oficial das empresas, e o texto será atualizado assim que os posicionamentos forem enviados.

A proposta é de autoria do deputado Jonas Donizette (PSB-SP).

Redação Panorama em Foco
Sobre o autor

Redação Panorama em Foco

O Panorama em Foco é um site de notícias comprometido em trazer informações relevantes e atuais para nossos leitores.

Nossa equipe de jornalistas e colunistas está sempre a procura das notícias mais importantes para que você possa estar sempre informado sobre o que está acontecendo no mundo.

Aqui, o mundo está sempre em foco!