O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou a Turquia escondido em um caminhão usado para transportar alimentos até aeronaves e embarcou em um voo militar secreto depois que autoridades americanas receberam informações sobre uma ameaça de assassinato atribuída ao Irã. A operação ocorreu em 8 de julho, após a cúpula da Otan em Ancara.
A manobra foi revelada pelo Washington Post nesta segunda-feira (10) e teve seus principais elementos relatados também por outros veículos americanos. Em público, Trump apareceu diante das câmeras subindo as escadas do antigo Air Force One. Minutos depois, porém, saiu da aeronave por outro acesso, entrou no caminhão de catering e foi levado até um avião menor da Força Aérea dos Estados Unidos.
A operação começou como uma encenação para ocultar a localização real de Trump. O republicano embarcou diante das câmeras no Boeing VC-25A, modelo tradicionalmente utilizado como Air Force One. A Casa Branca havia informado que ele deixaria a Turquia naquela aeronave rumo ao Reino Unido.
Trump, no entanto, não permaneceu no avião. Segundo o Washington Post, ele e alguns assessores entraram em um caminhão de catering posicionado em uma porta do lado oposto àquele acompanhado por jornalistas e câmeras.
Esses veículos são usados nos aeroportos para levar refeições e suprimentos diretamente às portas das aeronaves. A plataforma do caminhão pode ser elevada hidraulicamente até a altura da fuselagem, característica que permitiu que Trump deixasse o Air Force One sem atravessar a pista diante das câmeras.
Vídeos analisados pelo jornal mostram o caminhão deixando o avião presidencial e seguindo em direção a outra aeronave americana. Em determinado momento, o veículo ficou cerca de 40 segundos fora do alcance das imagens.
O destino era um C-32A da Força Aérea americana, versão militar do Boeing 757 utilizada para transportar autoridades. Foi nesse avião que Trump efetivamente deixou a Turquia e seguiu para a base aérea britânica de RAF Mildenhall.
Enquanto Trump voava secretamente no C-32A, o antigo Air Force One decolou de Ancara como se transportasse o presidente. Jornalistas e até integrantes da equipe da Casa Branca estavam no avião sem saber que o republicano havia sido retirado da aeronave antes da partida.
Os repórteres que acompanhavam a comitiva também receberam orientação para manter fechadas as persianas da cabine durante parte do trajeto. O procedimento dificultava a visualização da movimentação externa e ajudava a preservar a operação.
O C-32A chegou à RAF Mildenhall minutos antes do avião usado como isca. Não está totalmente esclarecido como Trump voltou ao antigo Air Force One já em território britânico, mas imagens registradas no local mostraram o presidente descendo posteriormente da aeronave diante das câmeras.
Depois de cumprimentar militares americanos na base, Trump embarcou no novo avião presidencial reformado a partir de um Boeing 747-8 doado pelo Qatar e seguiu para Washington.
Segundo o Washington Post, a complexa operação de retirada foi provocada por uma ameaça considerada crível contra a vida de Donald Trump atribuída ao Irã. A viagem ocorreu em meio à escalada das hostilidades entre Washington e Teerã e enquanto forças americanas realizavam novos ataques em território iraniano.
A Turquia compartilha uma extensa fronteira com o Irã, o que elevava as preocupações de segurança durante a passagem do presidente americano por Ancara.
Antes da viagem, Trump havia chegado à Turquia no novo avião presidencial, reformado depois de ter sido entregue pelo Qatar. Pouco antes de deixar Ancara, entretanto, anunciou que utilizaria o antigo Air Force One até o Reino Unido. Na ocasião, justificou a mudança dizendo que queria voar no modelo anterior “pelos velhos tempos” e permitir que militares americanos em Mildenhall conhecessem o novo jato.
A revelação da operação secreta, feita mais de um mês depois, mostrou que havia uma razão de segurança muito mais grave por trás da troca de aeronaves.
Questionada sobre a operação, a Casa Branca não respondeu diretamente aos detalhes do transporte de Trump no caminhão nem ao uso do Air Force One como aeronave de distração.
O diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, afirmou que existem inimigos dos Estados Unidos interessados em atingir o presidente e que o governo utiliza os recursos disponíveis para responder a essas ameaças. A administração também sustentou que o novo avião presidencial recebeu protocolos de segurança destinados a proteger Trump e sua equipe.
O Serviço Secreto dos Estados Unidos não comentou os detalhes da operação. A Força Aérea remeteu os questionamentos à Casa Branca.
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