A multinacional norueguesa Yara, especializada na fabricação de fertilizantes, inaugurou, no sul da Holanda, sua maior instalação industrial de captura de carbono (e a maior da Europa), capaz de capturar e liquefazer até 800 mil toneladas de CO₂ por ano.
A planta teve investimento estimado em € 200 milhões (cerca de R$ 1,19 bilhão) e foi instalada em Sluiskil. A ideia é capturar o CO₂ proveniente da produção de amônia e enviá-lo para ser armazenado geologicamente sob o Mar do Norte norueguês.
O CO₂ é primeiro separado na Holanda, transformado em líquido e então transportado por navio até a Noruega. Lá, é injetado em uma formação geológica localizada a cerca de 2,6 km abaixo do fundo do mar. A empresa definiu a estrutura como a “primeira cadeia transfronteiriça completa” para a captura, o transporte e o armazenamento de CO₂ em escala industrial.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), mais de 70% da amônia produzida no mundo utiliza atualmente a reforma de gás natural como rota tecnológica, e a produção global de amônia responde por cerca de 450 milhões de toneladas de CO₂ de emissões diretas por ano.
A tecnologia da Yara não chega a modificar a composição química da amônia; o que muda é que, ao invés de lançar o carbono diretamente na atmosfera, ele é armazenado de forma permanente.
Segundo a Yara, a amônia de menor emissão produzida em Sluiskil poderá permitir a fabricação de fertilizantes com uma pegada de carbono aproximadamente 40% menor. A amônia é empregada na fabricação de produtos como nitratos e ureia e também pode entrar em outras cadeias industriais.
A Yara também utiliza amônia em soluções industriais como o AdBlue, usado para reduzir emissões de óxidos de nitrogênio em motores a diesel.
Na unidade de Sluiskil, existem sete tanques para receber o CO₂ comprimido e liquefeito, com capacidade para até 15 mil toneladas.
A etapa seguinte é realizada pela Northern Lights, empresa formada por Equinor, Shell e TotalEnergies. A companhia oferece infraestrutura para transportar CO₂ capturado em diferentes instalações industriais europeias até a costa oeste da Noruega.
No caso da Yara, o CO₂ liquefeito é transportado por navios especializados até o terminal de Øygarden, na Noruega. Segundo a Yara, a operação foi dimensionada para dois navios com capacidade de aproximadamente 7.200 toneladas cada, com possibilidade de carregamento de dois navios por semana.
Em Øygarden, o CO₂ passa por armazenamento intermediário antes de seguir por um gasoduto submarino de aproximadamente 100 quilômetros. A infraestrutura conduz o carbono até o reservatório de armazenamento no Mar do Norte.
O destino final é o chamado reservatório Aurora, uma formação geológica localizada aproximadamente 2.600 metros abaixo do fundo do mar. A formação é um aquífero salino profundo, formado por rocha porosa capaz de receber o CO₂ e coberto por camadas de rocha impermeável que funcionam como barreira geológica. O armazenamento é monitorado e depende de autorização das autoridades norueguesas.
A Yara estima que a operação em Sluiskil possa capturar e enviar para armazenamento aproximadamente 12 milhões de toneladas de CO₂ ao longo de 15 anos. O cálculo corresponde à capacidade máxima projetada de 800 mil toneladas por ano durante o período.
A Comissão Europeia afirma que o projeto é resultado direto da Green Alliance entre a UE e a Noruega, assinada em 2023, e combina investimento privado, apoio público e infraestrutura de diferentes países.
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