A redução da poluição atmosférica gerou cerca de R$ 34,2 trilhões em benefícios para a saúde na China entre 2020 e 2025, segundo estimativa apresentada nesta segunda-feira (7) durante um evento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em Beijing.
No período, as medidas adotadas para combater a poluição também evitaram aproximadamente 680 mil mortes prematuras relacionadas à exposição às partículas finas PM2,5. As informações são do Diário do Povo.
Os dados foram apresentados por Hao Jiming, acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia e professor da Universidade Tsinghua. Segundo ele, os benefícios à saúde foram calculados a partir das medidas de redução da poluição implementadas no país nos últimos anos.
Entre 2020 e 2025, a China investiu 576,1 bilhões de yuans, aproximadamente R$ 439,9 bilhões, em ações de combate à poluição atmosférica. As empresas responderam por 53% dos recursos, enquanto o governo participou com 31% e a população, com 17%.
As medidas relacionadas às emissões de veículos representaram a maior parcela dos investimentos, com 26% do total. Outros 17% foram destinados à redução das emissões de compostos orgânicos voláteis provenientes de setores industriais considerados prioritários.
A melhoria da qualidade do ar também alcançou níveis recordes em 2025, último ano do 14º Plano Quinquenal da China. De acordo com Tong Yanchao, inspetor de segundo nível do Departamento de Meio Ambiente Atmosférico do Ministério de Ecologia e Meio Ambiente, a concentração média nacional de PM2,5 caiu para 28 microgramas por metro cúbico.
A proporção de dias com boa qualidade do ar atingiu o maior nível desde o início do monitoramento, enquanto a ocorrência de dias com poluição também caiu para o menor patamar registrado.
Em Pequim, a concentração média de PM2,5 caiu aproximadamente 70% entre 2013 e 2025, passando de 89,5 para 27 microgramas por metro cúbico. No mesmo período, o número de dias de poluição intensa despencou de 58 para apenas um.
O PNUMA classificou a transformação da capital chinesa como o “Milagre de Pequim”. A experiência passou a despertar o interesse de países vizinhos interessados em conhecer as políticas utilizadas pela China para reduzir a poluição.
A tecnologia também ganhou espaço no monitoramento ambiental. Segundo Wang Yao, funcionário do Departamento Municipal de Ecologia e Meio Ambiente de Pequim, a cidade criou uma rede que integra satélites, plataformas aéreas e estações terrestres.
O sistema permite identificar fontes de poluição a cada hora, com precisão de até 90%. Em 2025, as autoridades identificaram 23 setores que individualmente contribuíam com mais de 0,1 micrograma por metro cúbico para os níveis de PM2,5. A redução das emissões de carbono associada às medidas adotadas no período gerou outros 344,2 bilhões de yuans, cerca de R$ 262,8 bilhões, em benefícios.
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