O novo ataque de Israel contra as crianças palestinas

O novo ataque de Israel contra as crianças palestinas

  • 25 de agosto de 2026
  • Mundo
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Pais em Gaza foram orientados por comitês populares locais a impedir que seus filhos soltem pipas após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ameaçar “eliminar” quem lançar esses objetos em direção ao território israelense.

A ameaça foi feita no domingo (23) e levou os comitês responsáveis por campos de deslocados no enclave a emitir um alerta às famílias. A medida foi coordenada com autoridades do Hamas.

Israel sustenta que pipas podem ser utilizadas como armas e levou a questão ao Conselho de Paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsável por supervisionar a implementação do cessar-fogo firmado em outubro de 2025.

A decisão atinge diretamente as crianças palestinas, para quem soltar pipa se tornou um dos poucos passatempos ainda possíveis em um território amplamente destruído pela guerra.

Crianças são proibidas de soltar pipas em Gaza

Os comitês populares de Gaza, formados por representantes de ONGs locais e instituições de caridade que administram campos de deslocados, emitiram um alerta às famílias depois das ameaças israelenses.

A orientação foi direta: pais e responsáveis devem impedir que as crianças soltem pipas.

No comunicado distribuído às famílias, os comitês afirmaram que a medida não pretende “restringir a infância”, mas “proteger suas vidas inocentes”.

A proibição retira das crianças uma das poucas atividades recreativas que ainda sobrevivem em meio à destruição provocada pela guerra.

Umm Mohammed, moradora da Cidade de Gaza, contou à Reuters que não permitirá mais que o filho Ahmed, de 10 anos, solte pipas.

“Todo verão, meu filho Ahmed, de 10 anos, e as crianças da rua soltam essas pipas para se divertir, mas não vou mais permitir que ele faça isso”, afirmou.

Netanyahu ameaça “eliminar” responsáveis

A reação de Israel está relacionada também a episódios registrados em 2018, quando moradores de Gaza utilizaram pipas e balões com materiais incendiários para provocar incêndios do outro lado da fronteira.

Na ocasião, centenas de hectares de áreas abertas e terras agrícolas foram atingidos.

Nas últimas semanas, pipas voltaram a cruzar de Gaza para o território israelense. Desta vez, porém, os objetos avistados não carregavam materiais incendiários.

Mesmo assim, a presença das pipas provocou preocupação entre moradores de comunidades israelenses próximas à fronteira, região atingida durante os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.

No domingo, Netanyahu afirmou que os responsáveis pelo lançamento de pipas, balões ou drones em direção a Israel seriam alvos de “eliminação”. O primeiro-ministro também ameaçou determinar a evacuação das áreas de onde esses objetos forem lançados.

Israel leva caso ao conselho de Trump

Israel também levou a reclamação ao Conselho de Paz de Donald Trump, que acompanha a implementação do acordo de cessar-fogo em Gaza.

Uma autoridade do conselho afirmou à Reuters que atividades consideradas militantes devem ser interrompidas.

“Toda atividade militante em Gaza deve cessar, incluindo o lançamento de pipas. Transmitimos essa mensagem diretamente por meio do mecanismo estabelecido.”

Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, a orientação para impedir as crianças de soltarem pipas foi coordenada pelos comitês populares com autoridades do Hamas.

O próprio comunicado distribuído às famílias reconhece que as crianças de Gaza “já foram privadas dos direitos mais básicos de brincar e viver em segurança”.

Israel e Hamas trocam acusações

As duas partes apresentam versões diferentes sobre os episódios.

Uma autoridade de defesa israelense afirmou à Reuters que o Hamas estaria tentando provocar Israel ao incentivar moradores de Gaza a lançar pipas através da fronteira.

O Hamas rejeitou a acusação.

Um representante do grupo afirmou à agência que levou aos mediadores do cessar-fogo a reclamação de que “Israel estava criando pretextos falsos para continuar a guerra contra Gaza”.

A discussão ocorre durante um cessar-fogo que interrompeu os combates de maior escala, mas não encerrou completamente os ataques na região.

Em meio às acusações entre Israel e Hamas, as crianças palestinas acabam atingidas diretamente pela nova restrição. Em um território devastado pela guerra e onde as opções de lazer se tornaram escassas, até mesmo soltar uma pipa passou a ser considerado um risco.

 

 

Com informações da Reuters. 

 

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