
A maior banda de metal do mundo, o Metallica, pareceu ainda maior do que o habitual na noite de quinta-feira, quando deu início à residência Life Burns Faster, na Sphere, em Las Vegas. Com uma tela de 14.864 metros quadrados que se estende por 73 metros de altura, o grupo teve à disposição sua maior tela de projeção até hoje e aproveitou cada centímetro dela. Embora tenha criado visuais impressionantes para todas as músicas do repertório, a banda transformou as artes de Ride the Lightning, Master of Puppets e … And Justice for All em experiências imersivas, quase em 3D, para os fãs durante as performances das faixas-título desses álbuns na primeira noite. (A Rolling Stone publicará uma reportagem completa sobre o primeiro fim de semana da banda, incluindo uma análise detalhada dos repertórios de cada noite e dos eventos organizados para os fãs ao redor da Sphere, após o encerramento da programação.)
A primeira capa de álbum a ganhar vida foi a imagem da estátua destruída da Dama da Justiça (ou “Doris”, como os fãs do Metallica a conhecem), presente na capa do álbum duplo … And Justice for All, de 1988. A faixa-título do disco tem quase dez minutos de duração, o que permitiu ao grupo desenvolver a animação lentamente. A sequência começou com uma visão do interior dos “Salões da Justiça”, mencionados pelo vocalista James Hetfield na letra, antes de chegar à base da estátua.
A cena, animada de maneira semelhante à de um videogame de alto orçamento, se abre para revelar Doris no centro de uma prisão cilíndrica, enquanto silhuetas de prisioneiros observam por trás das grades. (A imagem lembrava um pouco a apresentação de Elvis Presley de “Jailhouse Rock”, uma homenagem apropriada ao Rei das Residências de Las Vegas.) A animação também mostra um tribunal coberto de tinta verde neon, como na capa do álbum, e um martelo de juiz que surge de trás do púlpito e desaba com força. Por fim, acontece uma fuga da prisão, e os detentos se reúnem na base da estátua e puxam cordas até que ela desmorone. A maneira como a estrutura se partiu dava a impressão de que os destroços cairiam sobre o público.
Algumas músicas depois, o grupo deu vida à capa de Ride the Lightning, de 1984, mas com uma reviravolta, durante a execução da faixa-título. Como o guitarrista Kirk Hammett contou à Rolling Stone em 2014, ele encontrou o título no romance A Dança da Morte, de Stephen King. “Havia uma passagem em que um cara no corredor da morte dizia que estava esperando para ‘cavalgar o raio’”, contou, o que inspirou o conceito da cadeira elétrica. Na Sphere, é o público que cavalga o raio. Há dois apoios de madeira para os braços, um de cada lado, e, ao olhar para cima, é possível ver o eletrodo suspenso sobre a plateia, pronto para eletrocutar todos — e, é claro, não faltaram relâmpagos iluminando o espaço por todos os lados. (Outro grande destaque relacionado ao álbum foi a performance de “The Call of Ktulu”, de Ride the Lightning. Os visuais mostravam o monstro de H. P. Lovecraft emergindo do oceano e, por fim, devastando Las Vegas.)
O show terminou com uma animação de uma das capas de álbum mais icônicas do Metallica: Master of Puppets, durante a execução da faixa-título do disco de 1986. O ilustrador Don Brautigam pintou a arte original, na qual mãos com fios de marionete se estendem sobre lápides em formato de cruz, que representam soldados mortos em combate. Na Sphere, as lápides se estendiam por uma distância que parecia alcançar quilômetros, à medida que avançavam pelas telas da cúpula. Quando a cena se aproximou para mostrar os detalhes, os integrantes da banda apareceram sobre as cruzes, até que, em determinado momento, tudo ficou de cabeça para baixo. O capacete de um soldado, posicionado no lado esquerdo da capa original, caiu de uma das cruzes e, em seguida, todas começaram a desabar. Ao olhar para cima, era possível ver os espaços vazios deixados pelas cruzes que haviam caído, enquanto a banda seguia tocando com toda a intensidade.
O show marcou a primeira das 24 apresentações que o Metallica fará na Sphere como parte da residência Life Burns Faster, cujo nome foi inspirado em um verso de “Master of Puppets”. Os shows estão organizados em pares de duas noites, com repertórios diferentes em cada apresentação. O setlist da primeira noite foi fortemente baseado em músicas do Black Album e de Ride the Lightning. Embora tenha incluído diversas favoritas dos fãs — como “Creeping Death”, “Sad but True” e as faixas mencionadas anteriormente —, a banda ainda tem muitos outros sucessos no repertório, como “Enter Sandman”, “One” e “Fade to Black”, para a segunda apresentação, marcada para sábado. E ainda haverá muitas outras oportunidades para mudanças, já que a residência Life Burns Faster tem shows agendados até março.
O post As cruzes de ‘Master of Puppets’, do Metallica, ganharam vida — e depois ficaram ainda maiores — na Sphere apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil.
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