O bem-estar de pessoas com menos de 25 anos aumentou nas últimas duas décadas em 85 dos 136 países analisados pelo World Happiness Report 2026, relatório divulgado pelo Wellbeing Research Centre, da Universidade de Oxford, em parceria com a Gallup e a Sustainable Development Solutions Network da ONU.
Ao mesmo tempo, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia registraram uma queda média de 0,86 ponto na avaliação de vida dos jovens entre os períodos de 2006 a 2010 e de 2023 a 2025.
Os pesquisadores identificaram uma associação entre o uso intenso das plataformas e avaliações mais baixas da própria vida, mas também encontraram diferenças importantes de acordo com idade, gênero, região e tipo de plataforma utilizada.
O relatório utiliza dados da Gallup World Poll e considera a avaliação que os próprios entrevistados fazem de suas vidas em uma escala de 0 a 10. Zero representa a pior vida possível para a pessoa, e 10, a melhor possível. A média das respostas entre 2023 e 2025 é utilizada para estabelecer o ranking dos países.
Segundo o relatório, a Finlândia continua a ser o país “mais feliz do mundo”, posição que ocupa desde 2018, com avaliação média de 7,764.
Em segundo e terceiro lugares vêm Islândia, com 7,540, e Dinamarca, com 7,539.
A Costa Rica ocupa a quarta posição, com 7,439, e é o país latino-americano mais bem colocado no ranking, tradicionalmente dominado por países europeus e outras nações de alta renda, como Suécia, Noruega, Países Baixos, Israel, Luxemburgo e Suíça.
O México aparece em 12º lugar, com avaliação de 6,972.
Já o Brasil fica na 32ª posição, com pontuação de 6,634, mas ainda sai na frente de nações como França, Itália, Espanha e Argentina. Entre os menores de 25 anos, a média brasileira é de 6,888, equivalente à 36ª posição mundial.
| Colocação | País | Pontuação |
|---|---|---|
| 1–1 | Finlândia | 7.764 |
| 2–4 | Islândia | 7.540 |
| 2–4 | Dinamarca | 7.539 |
| 2–4 | Costa Rica | 7.439 |
| 5–8 | Suécia | 7.255 |
| 5–8 | Noruega | 7.242 |
| 5–8 | Países Baixos | 7.223 |
| 5–9 | Israel | 7.187 |
| 8–17 | Luxemburgo | 7.063 |
| 9–19 | Suíça | 7.018 |
| 9–20 | Nova Zelândia | 6.995 |
| 9–24 | México | 6.972 |
| 9–24 | Irlanda | 6.928 |
| 9–24 | Bélgica | 6.926 |
| 9–25 | Austrália | 6.916 |
| 9–26 | Kosovo | 6.910 |
| 10–26 | Alemanha | 6.882 |
| 11–26 | Eslovênia | 6.868 |
| 11–30 | Áustria | 6.845 |
Entre os países latino-americanos, além da Costa Rica e do México, aparecem Uruguai em 31º, Brasil em 32º, El Salvador em 37º, Panamá em 39º, Guatemala em 42º, Argentina em 44º e Chile em 50º.
A classificação é baseada diretamente na avaliação que os moradores fazem de suas próprias vidas, considerando seis fatores principais: Produto Interno Bruto per capita, apoio social, expectativa de vida saudável, liberdade para tomar decisões sobre a própria vida, generosidade e percepção de corrupção.
Os indicadores são usados para analisar as diferenças entre países, mas a pontuação final é resultado das respostas dos entrevistados à chamada Escada de Cantril, em que os participantes imaginam uma escada com degraus numerados de 0 a 10 a partir de perguntas feitas para estimar sua satisfação. Notas até 4 indicam “sofrimento”, enquanto notas 7 ou mais indicam que a pessoa está “próspera”.
Nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, a avaliação de vida dos menores de 25 anos caiu, em média, 0,86 ponto na escala de 0 a 10 ao longo das últimas duas décadas, e os países ocupam posições entre as 12 piores do ranking de evolução da felicidade dos jovens.
A tendência é similar na Europa Ocidental.
Uma das principais bases utilizadas para analisar o comportamento dos adolescentes é o PISA 2022, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne informações de estudantes de 15 anos em 47 países que responderam tanto sobre uso de redes sociais quanto sobre satisfação com a própria vida.
Os dados mostram que estudantes que utilizam redes sociais por mais de sete horas por dia apresentam, em média, níveis de bem-estar inferiores aos daqueles que utilizam as plataformas por menos de uma hora.
A relação aparece de maneira particularmente forte entre meninas. No conjunto dos 47 países, meninas que utilizavam redes sociais intensivamente apresentavam menor satisfação com a vida do que as usuárias leves. Depois de uma hora diária de uso, a satisfação média tendia a cair à medida que o tempo aumentava.
Entre os meninos, o padrão foi menos uniforme. Em várias regiões, a diferença entre usuários leves e intensivos não alcançou significância estatística. O relatório também encontrou maior concentração simultânea de avaliações muito baixas e muito altas entre meninos que não utilizavam redes sociais e entre os usuários mais intensivos.
Uso de redes sociais, jogos e navegação por entretenimento aparecem associados a avaliações de vida mais baixas em níveis elevados de utilização. Já atividades como comunicação, busca de notícias e informações, aprendizagem e criação de conteúdo apresentam relações mais favoráveis com a satisfação de vida.
O relatório também encontrou diferenças relacionadas ao desenho das plataformas.
Em dados de países latino-americanos, redes voltadas à conexão entre pessoas apresentaram associações mais positivas com a satisfação de vida. Plataformas baseadas predominantemente em conteúdos selecionados por algoritmos apresentaram relações menos favoráveis em níveis elevados de uso.
A América Latina também apresenta um contraste importante com países de língua inglesa. A região combina níveis relativamente altos de utilização de redes sociais com avaliações de bem-estar juvenil relativamente elevadas.
Esse resultado é uma das razões pelas quais os autores evitam explicar a queda da felicidade dos jovens nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia apenas pela quantidade de tempo passada nas redes.
A edição de 2026 aponta que 15 países industrializados apresentaram quedas estatisticamente significativas nas avaliações gerais de vida desde o período de referência, contra quatro que tiveram aumentos significativos. No conjunto dos 136 países comparáveis, 79 registraram ganhos estatisticamente significativos e 41 apresentaram quedas.
A situação também varia de acordo com a idade. Em oito das dez regiões globais analisadas, os grupos mais jovens apresentam avaliações de vida atualmente superiores às observadas em 2006–2010.
As exceções são justamente os países da América do Norte, Austrália e Nova Zelândia e a Europa Ocidental, onde o bem-estar dos jovens caiu em relação ao passado e também em relação às gerações mais velhas.
O Brasil aparece em 32º lugar entre os países avaliados, com pontuação de 6,634. Entre os menores de 25 anos, a média brasileira é de 6,888, o que posiciona o país no 36° lugar mundial.
O Brasil também integra a amostra latino-americana utilizada para investigar especificamente o comportamento de adolescentes nas redes sociais. A região apresentou uma das maiores proporções de usuários intensivos: 24,2% dos estudantes latino-americanos da amostra relataram cinco horas ou mais de uso diário de redes sociais.
Ainda assim, a América Latina apresenta um padrão diferente daquele observado nos países de língua inglesa e em parte da Europa Ocidental. Os dados indicam que o uso de redes sociais pode estar associado a níveis mais altos de satisfação em determinados contextos e plataformas, especialmente quando o objetivo é estabelecer conexões sociais.
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