
A Coreia do Sul prepara um programa nacional que integra IA gratuita e sem limite de uso a serviços públicos no país. Batizada de “AI for All” (“AI para Todos”, em tradução livre), a iniciativa começará com testes em setembro e deve ser ampliada para o país inteiro até o fim do ano.
Os sistemas desenvolvidos para o programa poderão se conectar a serviços públicos e ajudar em tarefas como agendamento de consultas e cálculo de impostos, segundo o Wall Street Journal.
A iniciativa pretende estimular a adoção de modelos criados no país e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras, em especial dos Estados Unidos e da China, portanto não cria um subsídio a assinaturas de gigantes como ChatGPT e Claude. As empresas participantes deverão usar modelos sul-coreanos em pelo menos 50% da arquitetura dos serviços, segundo o jornal local Yonhap News.

Seul selecionou três consórcios privados para participar do programa. Segundo a Reuters, eles são liderados pelas principais operadoras de telecomunicações do país, SK Telecom e KT, e a empresa responsável pelo Kakao, um dos mensageiros mais populares no país.
Cada consórcio terá seu próprio aplicativo e poderá incorporar os recursos de IA a plataformas que já possuem usuários no país. O acesso será subsidiado pelo governo e não terá franquia de utilização.
Entre as aplicações previstas estão:
O governo também prevê a distribuição de até 512 aceleradores Nvidia B200 entre os três consórcios como parte dos investimentos em infraestrutura de IA do governo atual, liderado pelo presidente Lee Jae Myung. A administração reservou cerca de 10 trilhões de wons (aproximadamente R$ 37 bilhões) para investimetnos no setor neste ano.
O programa parte de um mercado de consumo de IA considerado alto. Segundo dados oficiais, citados pelo WSJ, cerca de 25% da população sul-coreana paga por serviços de IA. O número é quase 10% maior que no Brasil: são 16% por aqui, segundo levantamento do Mobile Time publicado em junho.

A Coreia do Sul entra na lista de governos que investem em sistemas próprios para reduzir a dependências de grandes empresas de tecnologia. Os investimentos vão desde modelos próprios a maior capacidade de processamento e infraestrutura.
Suíça, Canadá e Singapura estão entre os países que já iniciaram estratégias nacionais de IA, reunindo soberania de dados, formação de profissionais e a publicação de modelos abertos. França e Alemanha, por sua vez, trabalham em uma estrutura semelhante à adotada pela Coreia do Sul, mas com empresas europeias.
Por aqui, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê investimentos em supercomputadores, infraestrutura nacional de nuvem e desenvolvimento de modelos avançados em português. Em agosto deste ano, o Governo Federal anunciou R$ 2,3 bilhões para a estratégia, que deve receber cerca de R$ 23 milhões até 2028.
Coreia do Sul prepara programa nacional de IA gratuita integrada a serviços públicos
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