Dezenas de colonos israelenses atacaram a aldeia palestina de Qusra, no norte da Cisjordânia ocupada, neste sábado (29), informaram o Exército israelense e um morador, após quase três semanas de tensões na região.
No início de agosto, um grupo de colonos começou a bloquear o acesso à aldeia, perto de Nablus, e a sitiar seus habitantes, o que provocou condenação nacional e internacional.
As forças israelenses, mobilizadas na região, continuam operando no local.
No sábado, Yusef Abdul Karim Hassan, um morador de Qusra, declarou à AFP que vários habitantes locais estavam trabalhando em uma casa quando um pequeno grupo de colonos se aproximou deles.
Em seguida, eles voltaram com dezenas de outros homens e cercaram os palestinos dentro da casa antes de atirar pedras contra eles, segundo Hassan.
Imagens registradas neste sábado pela AFP na aldeia mostram dezenas de integrantes das forças israelenses mobilizados no local.
O Exército israelense, que ocupa a Cisjordânia desde 1967, declarou que seus soldados e a polícia de fronteira foram enviados “após relatos de que desordeiros israelenses haviam chegado à região e de que haviam ocorrido confrontos violentos, incluindo lançamento de pedras contra palestinos e outros civis”.
“Ao chegar, as forças de segurança identificaram dezenas de desordeiros que haviam se entrincheirado dentro de uma casa palestina com moradores palestinos em seu interior”, explicou em um comunicado.
Também mencionou “informações que dão conta de palestinos feridos”, sem fornecer mais detalhes.
Segundo essa fonte, as forças de segurança retiraram os colonos e apreenderam veículos “suspeitos de terem sido utilizados para chegar à região”, que servirão como prova na investigação policial.
Em uma rara crítica aos colonos, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, denunciou “atos de violência criminosa” e “um punhado de desordeiros que infringem a lei, causam grande prejuízo à comunidade judaica que respeita a lei, dificultam a atuação de [o Exército] […] e prejudicam a imagem de Israel no mundo”.
Mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, ilegais segundo o direito internacional, ao lado de aproximadamente três milhões de palestinos.
A violência dos colonos se intensificou desde o ataque do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, com ataques e atos de assédio ou intimidação que raramente resultam em processos judiciais.
Segundo uma contagem da AFP baseada em dados do Ministério da Saúde palestino, soldados ou colonos mataram pelo menos 1.103 palestinos, combatentes e civis, desde 7 de outubro de 2023.
Segundo números israelenses, durante o mesmo período, pelo menos 48 israelenses, tanto civis quanto integrantes das forças de segurança, morreram em ataques palestinos ou durante operações militares israelenses.
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