O governo iraniano informou que pretende realizar, até o fim do ano do calendário persa, um lançamento inédito para colocar três satélites da constelação Martyr Soleimani em órbita usando um único foguete.
O nome da constelação faz referência a Qassem Soleimani, ex-comandante da Força Quds do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica assassinado em janeiro de 2020 por um ataque de drone norte-americano nas proximidades do aeroporto de Bagdá.
Segundo Sattar Hashemi, ministro das Comunicações e Tecnologia da Informação iraniano, o projeto foca na construção de uma infraestrutura espacial nacional capaz de oferecer serviços contínuos de internet de alta velocidade e troca de dados entre centros de controle (a Internet das Coisas, IoT).
A constelação Martyr Soleimani foi planejada com 24 satélites em órbita, 18 deles operacionais e seis reservas. A maior parte deles já foi concluída, afirma o chefe da Agência Espacial Iraniana, Hassan Salariyeh, e alguns passam pelo estágio de integração com a rede.
O primeiro protótipo em escala real da constelação de satélites foi apresentado pelo governo em fevereiro deste ano, apelidado de Hatef-3.
A Agência Espacial Iraniana descreve a constelação como um sistema de banda estreita destinado a comunicações de baixo volume de dados e aplicações de IoT, a ser operado a partir da órbita baixa da Terra.
O motivo é a possibilidade de multiplicar os nós orbitais com vários dispositivos atuando juntos simultaneamente, o que reduz a latência da conexão e amplia sua cobertura.
O chefe da Agência Espacial Iraniana explicou que uma das principais metas técnicas do projeto é consolidar a capacidade de injeção múltipla, colocando diferentes satélites em órbita durante uma única missão.
O país já tem experiência com esse tipo de lançamento, com os foguetes nacionais Simorgh e Qaem-100, desenvolvidos pela Guarda Revolucionária Iraniana.
Em janeiro de 2024, o Irã já havia colocado em órbita, em uma única missão do Simorgh, os satélites Mahda, Kayhan-2 e Hatef-1.
Já em dezembro do ano passado, lançou os satélites Paya, Zafar-2 e Kowsar, para observação terrestre, no foguete russo Soyuz, a partir do cosmódromo de Vostochny.
Antes da implantação operacional em larga escala, o Irã pretende validar tecnologias fundamentais por meio do Hatef-3, apresentado em fevereiro de 2026 como o primeiro modelo em escala real relacionado à constelação e tratado pelas autoridades como uma unidade experimental.
A meta do Irã, na primeira fase de lançamentos, é ter 18 satélites operacionais.
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