
A Oricon, a maior empresa japonesa de pesquisa de entretenimento, revelou o ranking dos mangás mais recomendados por leitores em 2026 — e o resultado surpreende até fãs mais dedicados do gênero. A pesquisa ouviu 10.564 pessoas entre fevereiro e março de 2026, pedindo que cada participante escolhesse até três mangás favoritos lidos em plataformas digitais no último ano. O universo analisado cobriu 131 séries que tiveram bom desempenho de vendas em 2025, e o resultado é um retrato fiel do que leitores japoneses estão consumindo e recomendando com mais entusiasmo agora.
O dado mais comentado do levantamento é a posição de One Piece: a série de Eiichiro Oda, a mais vendida da história dos mangás, com mais de 600 milhões de cópias, aparece apenas em sétimo lugar, com 557 votos. É o reflexo de uma mudança geracional no gosto do público. Segundo relatório, séries mais recentes, concluídas ou em andamento, com forte apelo emocional e narrativas centradas em personagens complexos, têm conquistado espaço que antes era exclusividade de grandes clássicos do shonen. O fenômeno não significa queda de popularidade de One Piece, mas, sim, a ascensão de novos títulos que dialogam com o que o público japonês de 2026 quer ler.
No topo da lista está Diários de uma Apotecária, série que combina mistério, política de corte imperial e uma protagonista fora do padrão dos mangás de fantasia. Com 1.200 votos e mais de 81% do apoio vindo de leitoras, a franquia criada por Natsu Hyuga consolidou sua posição como o fenômeno editorial do momento no Japão. Confira abaixo os dez mangás mais recomendados da pesquisa e o que cada um tem de especial.
Anata no Oshiro no Kobito-san é uma série de fantasia e comédia que conquistou um público dedicado com sua premissa inusitada e personagens carismáticos. A obra mistura elementos de slice of life (gênero focado em contar histórias do cotidiano) com magia e humor leve, criando uma atmosfera acolhedora que se destaca entre as grandes franquias de ação que dominam o mercado.
Kingdom, de Yasuhiro Hara, é uma épica histórica ambientada na China antiga durante o período dos Reinos Combatentes, acompanhando o jovem Xin em sua busca por se tornar o maior general sob o céu. Com dezenas de volumes publicados e um anime que ganhou força nos últimos anos, Kingdom é a escolha clássica para quem aprecia estratégia militar, política e narrativa de longa duração.
Detective Conan é talvez o exemplo mais impressionante de longevidade dos mangás japoneses. Criada por Gosho Aoyama em 1994 e ainda em serialização, a série acompanha Shinichi Kudo, um detetive adolescente reduzido ao corpo de uma criança após ser envenenado por membros de uma organização criminosa. Sob o nome falso de Conan Edogawa, ele continua resolvendo casos enquanto tenta descobrir um antídoto.
Com mais de 25 anos de serialização e mais de 600 milhões de cópias vendidas, One Piece ainda figura entre os dez mais recomendados — o que, por si só, é uma conquista notável. A série de Eiichiro Oda acompanha Monkey D. Luffy e os Piratas do Chapéu de Palha em busca do lendário tesouro que dá nome à obra.
Jujutsu Kaisen é uma das séries que mais dominou a conversa do mangá nos últimos anos. Criada por Gege Akutami, a obra acompanha Yuji Itadori, um estudante que engole um dedo amaldiçoado do maior feiticeiro maldito da história e passa a abrigar sua consciência enquanto treina para se tornar um exorcista de maldições. O que diferencia Jujutsu Kaisen de outras histórias de batalha do shonen é a disposição do autor em matar personagens queridos e subverter as expectativas do leitor, o que gerou tanto debates acalorados quanto uma base de fãs extremamente leal.
Don’t Call It Mystery é uma das séries menos conhecidas fora do Japão entre as que aparecem nessa lista. A obra, de Takaichi Yagami, é uma mescla de mistério e humor que acompanha uma detetive da aristocracia e seu mordomo com habilidades de dedução extraordinárias. O tom leve e as reviravoltas inteligentes fazem dela um contraponto às grandes franquias de ação — e sua popularidade entre leitoras adultas sugere que há um público ávido por histórias de mistério com protagonismo feminino e comédia refinada.
Mesmo com a serialização encerrada em 2020, Demon Slayer segue entre os títulos mais recomendados do Japão. A série de Koyoharu Gotouge acompanha Tanjiro Kamado, um jovem que se torna caçador de demônios após ver sua família ser massacrada e sua irmã Nezuko ser transformada num dos seres que jurou combater. O anime adaptado transformou a franquia num fenômeno de escala histórica, tornando-se a maior bilheteria da história do cinema japonês.
Spy x Family é uma das histórias de família mais improváveis da história dos mangás. O espião de codinome Loid Forger precisa se casar e adotar uma criança para cumprir uma missão de infiltração, sem saber que a garota que adota, Anya, é telepata, e que a mulher que escolhe como esposa, Yor, é assassina profissional. Nenhum dos três sabe dos segredos dos outros, e é justamente essa tensão cômica que faz de Spy x Family uma leitura viciante. Criado por Tatsuya Endo, o mangá combina ação, comédia familiar e espionagem numa fórmula que conquistou leitores de todas as idades — e um anime produzido pelo estúdio WIT que se tornou fenômeno.
Frieren e a Jornada para o Além inverte a lógica do gênero de fantasia: em vez de acompanhar heróis em busca do Rei Demônio, a série começa depois que a missão já foi concluída. A protagonista é Frieren, uma elfa maga que, devido à sua longevidade, vê seus companheiros humanos envelhecerem e morrerem enquanto ela permanece jovem. A série, de Kanehito Yamada e Tsukasa Abe, explora temas de luto, memória e o peso do tempo de forma que raramente se vê no mangá mainstream — e que ressoa tanto com leitores jovens quanto com veteranos do gênero. O anime adaptado pelo estúdio Madhouse foi um dos maiores fenômenos de 2023 e 2024.
Diários de uma Apotecária segue Maomao, uma jovem farmacêutica que acaba sendo levada ao harém imperial como serviçal e passa a resolver mistérios usando seu conhecimento sobre ervas, venenos e medicina. A série, originalmente publicada como web novel em 2011 por Natsu Hyuga, gerou duas adaptações em mangá e um anime de grande sucesso. O que diferencia a obra é a combinação rara de intriga política, comédia sutil e uma protagonista que resolve conflitos com inteligência — não com combate. A relação entre Maomao e o enigmático funcionário imperial Jinshi é um dos motores afetivos da série, e a profundidade emocional dos personagens explica por que cerca de 81% dos votos recebidos vieram de leitoras — e por que Diários de uma Apotecária é, em 2026, o mangá mais recomendado do Japão.
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