China bate recordes no comércio exterior e Brasil se consolida como parceiro estratégico

China bate recordes no comércio exterior e Brasil se consolida como parceiro estratégico

  • 7 de agosto de 2026
  • Mundo
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A China ampliou seu comércio exterior nos primeiros sete meses de 2026 e reforçou sua posição como uma das principais forças do comércio global. Entre janeiro e julho, as importações e exportações chinesas somaram 30,13 trilhões de yuans (US$ 4,46 trilhões), uma alta de 17,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China (GAC).

As exportações chinesas alcançaram 17,44 trilhões de yuans, crescimento de 14% na comparação anual. Já as importações chegaram a 12,69 trilhões de yuans, avanço de 22%. O ritmo das compras externas, portanto, foi 8 pontos percentuais superior ao das vendas ao exterior.

O resultado dá continuidade ao desempenho registrado no primeiro semestre. Entre janeiro e junho, o comércio exterior chinês havia alcançado 25,47 trilhões de yuans, alta de 16,9% e recorde para o período. As exportações somaram 14,73 trilhões de yuans, enquanto as importações chegaram a 10,74 trilhões.

Em julho, o ritmo do comércio exterior voltou a acelerar. O crescimento registrado no mês foi 2,3 pontos percentuais superior ao observado na primeira metade do ano, enquanto o volume mensal de importações e exportações permaneceu acima de 4 trilhões de yuans pelo quinto mês consecutivo.

China exporta cada vez mais tecnologia

Um dos principais elementos do resultado é a transformação da composição das exportações chinesas. Produtos eletromecânicos já representam 63,8% de todas as vendas externas do país.

Nos primeiros sete meses do ano, as exportações dessa categoria chegaram a 11,12 trilhões de yuans, crescimento de 21,2% em relação a 2025. A participação no total exportado aumentou 3,8 pontos percentuais em apenas um ano.

O avanço é ainda mais expressivo em setores ligados à transição energética e à indústria de alta tecnologia.

As exportações de veículos elétricos cresceram 71,2%, enquanto as de baterias de lítio aumentaram 35,8%. As vendas externas de conjuntos geradores de turbinas eólicas avançaram 34,8%.

Também houve forte crescimento em produtos industriais mais sofisticados. As exportações de impressoras 3D aumentaram 1,1 vez, enquanto as de robôs industriais cresceram 13,2%. Já as exportações de navios chegaram a 268,14 bilhões de yuans, alta de 32,7%.

No primeiro semestre, as exportações de produtos de alta tecnologia haviam crescido 39%, chegando a 3,26 trilhões de yuans. Segundo a GAC, apenas as vendas externas de componentes eletrônicos e peças de computadores contribuíram com 6,9 pontos percentuais para o crescimento das exportações no período.

A expansão também está relacionada ao aumento global da demanda por infraestrutura para inteligência artificial, incluindo equipamentos de computação, componentes eletrônicos e centros de processamento de dados.

A China também vem ampliando suas exportações de produtos diretamente relacionados à inteligência artificial. No primeiro semestre, mais de 10 mil robôs biomiméticos inteligentes, integrados com tecnologias de IA, foram exportados para mais de 90 países e regiões.

As exportações de robôs cirúrgicos alcançaram 480 milhões de yuans, um aumento de 3,3 vezes em relação ao ano anterior. O número de mercados atendidos passou de 23 para 49 países.

Importações chinesas crescem ainda mais

Enquanto as exportações avançam, as importações chinesas apresentam ritmo ainda mais acelerado.

Entre janeiro e julho, as compras externas cresceram 22%. No primeiro semestre, o crescimento havia sido de 22,1%, 8,7 pontos percentuais acima do avanço das exportações.

As importações de produtos eletromecânicos chegaram a 5,31 trilhões de yuans nos primeiros sete meses, alta de 29,7%. A categoria respondeu por 41,9% de todas as importações chinesas.

Também aumentou a entrada de matérias-primas. O volume importado de commodities minerais cresceu 3%, enquanto as compras de minérios metálicos avançaram 8,2%.

A política chinesa de abertura comercial também tem contribuído para o aumento das importações. O país já concede tratamento de tarifa zero a 63 países e permanece como o segundo maior mercado importador do mundo há 17 anos consecutivos.

China amplia comércio com países do Sul Global

O crescimento do comércio chinês não está concentrado apenas nas economias desenvolvidas. Nos primeiros sete meses de 2026, as relações comerciais com mais de 180 países e regiões cresceram.

A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) foi responsável por 5,14 trilhões de yuans em comércio com a China, alta de 20%. Com a União Europeia, o comércio chegou a 3,67 trilhões de yuans, crescimento de 9,5%.

Já as trocas com os Estados Unidos somaram 2,38 trilhões de yuans, uma queda de 1,6%.

O comércio com os países parceiros da Iniciativa do Cinturão e Rota chegou a 15,36 trilhões de yuans, aumento de 15,5%.

No primeiro semestre, o comércio com esses países havia alcançado 12,97 trilhões de yuans, equivalente a 50,9% de todo o comércio exterior chinês.

No mesmo período, as trocas comerciais da China com a América Latina cresceram 16,2%, enquanto o comércio com a África avançou 19,6%. As relações comerciais com países vizinhos aumentaram 20,6%.

China se consolida como principal parceiro comercial do Brasil

O avanço do comércio chinês também se reflete diretamente na economia brasileira.

Em julho, a China consolidou sua posição como principal parceiro comercial do Brasil, com crescimento tanto das exportações brasileiras para o mercado chinês quanto das importações brasileiras de produtos chineses.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para a China aumentaram 23,2% em relação a julho de 2025, alcançando US$ 9,69 bilhões.

O resultado foi impulsionado principalmente pelos embarques de petróleo bruto, minério de ferro, soja e carne.

As importações brasileiras provenientes da China também cresceram. Foram US$ 6,21 bilhões em julho, alta de 18,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Entre os produtos importados estão máquinas, equipamentos eletrônicos, veículos, insumos industriais e bens de consumo.

O resultado reforça uma relação comercial que ganhou importância ao longo das últimas décadas. A China já é o principal destino das exportações brasileiras e o maior fornecedor de produtos importados pelo país.

No primeiro semestre de 2026, o mercado chinês respondeu por quase um terço das exportações brasileiras, superando com ampla margem os demais parceiros comerciais.

Relação com a China ajuda a sustentar superávit brasileiro

O desempenho do comércio com a China ocorre em um momento de expansão do saldo comercial brasileiro.

Em julho, o Brasil registrou superávit de US$ 7 bilhões, resultado de US$ 30,1 bilhões em exportações e US$ 23,1 bilhões em importações.

Embora o saldo tenha sido menor que o registrado em julho de 2025, o resultado acumulado permanece positivo. Entre janeiro e julho, o Brasil acumulou um superávit comercial próximo de US$ 49 bilhões, mais de 30% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Diante do desempenho, o MDIC elevou sua projeção para o saldo comercial brasileiro em 2026 para US$ 90 bilhões. Se confirmado, seria o segundo melhor resultado da série histórica.

A força da demanda chinesa por matérias-primas, alimentos e outros produtos brasileiros tem ajudado a compensar parte da desaceleração observada em outros mercados.

Ao mesmo tempo, as barreiras comerciais adotadas pelos Estados Unidos aumentaram a pressão para que o Brasil diversifique seus mercados consumidores.Assim, a parceria entre China e Brasil se fortalece em meio a um cenário internacional incerto.

Com informações de Xinhua, MDIC e Diário do Povo.

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