O plano de R$ 8,8 bilhões da França para mudar o futuro da defesa nuclear europeia

O plano de R$ 8,8 bilhões da França para mudar o futuro da defesa nuclear europeia

  • 6 de agosto de 2026
  • Mundo
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A França vai investir € 1,5 bilhão em uma das maiores iniciativas de modernização de sua infraestrutura militar das últimas décadas: a transformação da Base Aérea 116 de Luxeuil-Saint-Sauveur, no leste do país, em seu quarto centro de operações para a dissuasão nuclear.

O projeto faz parte da estratégia anunciada pelo presidente Emmanuel Macron para reforçar a capacidade das Forças Aeroespaciais Francesas diante do agravamento do cenário de segurança europeu e da evolução das ameaças estratégicas.

A base será adaptada para se tornar a primeira da França a operar o futuro caça Rafale F5, equipado com o míssil hipersônico ASN4G, que substituirá o atual míssil nuclear ASMPA-R.

O Rafale F5 também deve ser o primeiro modelo compatível com o futuro míssil nuclear ASN4G, atualmente em desenvolvimento pela empresa europeia MBDA.

O ASN4G (Air-Sol Nucléaire de 4e Génération) representa um dos principais programas estratégicos atualmente conduzidos pela indústria de defesa francesa. O armamento foi projetado para atingir velocidades superiores a Mach 5, além de realizar manobras durante o voo para dificultar sua interceptação por modernos sistemas de defesa antimísseis.

Segundo o cronograma, a nova instalação poderá estar operacional até 2035.

Criada em 1912, a base já havia desempenhado um papel importante durante a Guerra Fria por sediar unidades responsáveis pelo componente aéreo da força nuclear francesa. Em 2011, no entanto, perdeu essa missão com a retirada dos caças Mirage 2000N.

O governo francês vai, agora, reincorporar a base à Force Aérienne Stratégique (FAS), que mantém a capacidade de dissuasão baseada em dois componentes principais: os submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos e a aviação estratégica.

As primeiras etapas do programa já começaram com contratos de engenharia e preparação da infraestrutura, e a reconstrução em larga escala deverá começar em 2027, com a renovação das pistas, a modernização dos hangares e a instalação de novos centros de comando e controle.

Entre 2029 e 2032, as operações aéreas serão interrompidas para permitir a execução das obras.

O primeiro esquadrão nuclear pode estar plenamente operacional em 2033, enquanto um segundo será ativado em 2036. Ao final do processo, a base vai operar aproximadamente 50 aeronaves Rafale.

O efetivo permanente das forças francesas também será ampliado de aproximadamente 1.200 para quase 2.000 militares e civis, especializados em manutenção, logística, segurança nuclear e operações estratégicas.

Nos últimos anos, Paris tem expandido os investimentos previstos na Lei de Programação Militar, além de acelerar as encomendas de caças Rafale e os  programas ligados à modernização de sua força nuclear.

Durante o anúncio do projeto, Emmanuel Macron também defendeu o aprofundamento do debate sobre o papel da dissuasão nuclear francesa na segurança do continente europeu. A França é, atualmente, o único país da União Europeia a possuir armamento nuclear próprio.

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