“Cooperação entre a China e os países africanos está cada vez mais sólida e abrangente”

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  • 4 de agosto de 2026
  • Mundo
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A experiência chinesa de desenvolvimento do turismo pode oferecer caminhos para países africanos que buscam transformar seus patrimônios naturais e culturais em instrumentos de desenvolvimento econômico e social. Essa é uma das avaliações de Ofélia Musseia, chefe do Departamento de Desenvolvimento de Mercados, Produtos, Destinos e Informação Turística do Ministério da Economia de Moçambique, que participou, em Hainan, na China, do Seminário de Gestão em Turismo para os Países de Língua Portuguesa.

Para a dirigente moçambicana, o contato direto com políticas públicas, projetos e modelos de gestão adotados na China permitiu observar como o turismo pode ser integrado a uma estratégia mais ampla de desenvolvimento. As visitas técnicas realizadas durante o seminário, segundo ela, foram particularmente importantes para aproximar o conhecimento teórico da realidade prática.

“A minha participação no Seminário foi extremamente enriquecedora, pois proporcionou uma excelente combinação entre conhecimento teórico e experiências práticas, permitindo compreender de forma mais aprofundada as políticas, estratégias e modelos de desenvolvimento do turismo implementados pela China. As visitas de estudo, o intercâmbio de experiências entre os participantes e o contacto directo com as boas práticas de gestão turística constituíram uma oportunidade valiosa para fortalecer as minhas competências profissionais e identificar iniciativas que poderão ser adaptadas à realidade moçambicana.”

A estratégia chinesa tem buscado incorporar tecnologia à atividade turística. É justamente essa combinação entre turismo, infraestrutura, tecnologia e desenvolvimento territorial que chama a atenção de Musseia. Na avaliação da dirigente, a experiência chinesa demonstra que o setor pode produzir efeitos que ultrapassam a atividade turística propriamente dita.

“O turismo pode e deve ser visto como um poderoso motor de desenvolvimento económico e social, através de uma visão estratégica de longo prazo, investimento consistente em infraestruturas, inovação tecnológica e valorização do património cultural e natural. A China integrou o turismo nas suas políticas de desenvolvimento, promovendo simultaneamente a modernização das cidades, a revitalização das zonas rurais, a criação de emprego e a redução da pobreza( melhoria da qualidade de vida das comunidades.
Um aspecto que merece destaque é a grande aposta no uso das tecnologias para melhorar a experiência dos visitantes e tornar a gestão dos destinos mais eficiente e sustentável.”

A relação entre turismo e desenvolvimento rural é particularmente relevante para Moçambique, país cuja economia ainda possui forte dependência de atividades ligadas aos recursos naturais e que busca diversificar suas fontes de crescimento. Em abril deste ano, durante visita de Estado à China, o presidente moçambicano Daniel Chapo afirmou que o país pretende aprofundar a cooperação com Beijing justamente em áreas como agricultura, turismo, infraestrutura e digitalização.

A aproximação entre os dois países, portanto, ocorre em um momento de fortalecimento das relações bilaterais.

O turismo, porém, ainda representa uma frente com espaço considerável para expansão. Moçambique possui uma extensa costa no oceano Índico, destinos paradisíacos – como o estonteante Arquipélago de Bazaruto -, áreas de conservação e uma diversidade cultural que já sustenta uma indústria turística voltada principalmente para mercados regionais e internacionais. A recuperação do setor também vem sendo acompanhada por novos investimentos e pela expansão de destinos de praia, natureza e safári.

Uma das oportunidades apontadas por Musseia está justamente na aproximação com o gigantesco mercado consumidor chinês. Mais do que simplesmente aumentar o número de visitantes, a cooperação poderia envolver divulgação de Moçambique na China, investimentos em infraestrutura turística, formação profissional e transferência de conhecimento em gestão de destinos.

“A cooperação entre a China e os países africanos está cada vez mais sólida e abrangente, baseada no respeito mútuo, na amizade e na procura de benefícios comuns. Ao longo dos anos, esta parceria tem contribuído para o desenvolvimento de diversos sectores estratégicos, como as infraestruturas, o comércio, a agricultura, a indústria, a educação, a saúde, a tecnologia e a capacitação de recursos humanos.

No caso de Moçambique, a China é um parceiro estratégico de longa data, com uma cooperação que tem gerado impactos positivos no desenvolvimento económico e social do país, esta relação tem permitido a implementação de projectos estruturantes, o reforço das capacidades institucionais e a criação de novas oportunidades de investimento e intercâmbio.

No turismo, existe um potencial significativo para aprofundar esta cooperação, através da promoção do destino Moçambique no mercado chinês, da atracção de investimento, da formação de profissionais e da partilha de experiências em áreas como a gestão de destinos, a inovação e o turismo sustentável.”

A possibilidade de atrair visitantes chineses ganha relevância em um momento de expansão da mobilidade internacional dos cidadãos do país e de políticas chinesas destinadas a estimular o turismo de entrada e a facilitar viagens ao exterior. Moçambique está entre os países africanos que oferecem entrada sem visto para cidadãos chineses.

Para Moçambique, essa experiência pode ser particularmente relevante. O país reúne recursos naturais de grande potencial turístico, mas enfrenta desafios relacionados à infraestrutura, conectividade, qualificação profissional e desenvolvimento de destinos fora dos principais centros urbanos. A ideia defendida por Musseia é que a cooperação com a China não se limite à atração de turistas, mas envolva conhecimento e capacidade institucional.

Para a dirigente moçambicana, essa aproximação também possui uma dimensão que vai além dos indicadores econômicos.

“De uma forma geral, acredito que a cooperação entre a China, África e Moçambique continuará a desempenhar um papel importante na promoção do desenvolvimento, da prosperidade partilhada e no fortalecimento das relações de amizade entre os nossos povos.”

Redação Panorama em Foco
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