Rota da Seda: a descoberta surpreendente de arqueólogos sobre os povos do trajeto

Rota da Seda: a descoberta surpreendente de arqueólogos sobre os povos do trajeto

  • 29 de julho de 2026
  • Mundo
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Uma equipe arqueológica conjunta formada por China e Mongólia identificou uma nova inscrição rúnica em Bayankhongor, na Mongólia, durante trabalhos de campo. A descoberta amplia o reduzido conjunto de registros túrquicos antigos já catalogados, com peças que remontam a até 1.300 anos, segundo informou o portal the paper.cn nesta segunda-feira.

O achado foi feito em uma rocha natural exposta em encosta montanhosa. O texto apresenta diversas linhas de caracteres rúnicos bem preservados, com traços nítidos e leitura ainda possível.

A escavação foi conduzida pela Universidade da Mongólia Interior em parceria com o Instituto de Arqueologia da Academia de Ciências da Mongólia. A equipe já concluiu o registro fotográfico em alta resolução, o mapeamento e a documentação detalhada da inscrição, seguindo os procedimentos arqueológicos padrão. A área ao redor do sítio também foi vistoriada de forma sistemática.

A escrita identificada pertence ao sistema conhecido como rúnico turcico antigo, utilizado entre os séculos VII e X por povos nômades do planalto da Mongólia, entre eles o Canato Turcico e o Canato Uigur. As inscrições do vale de Orkhon estão entre os exemplos mais conhecidos desse sistema de escrita.

Como esse tipo de inscrição é raro, os pesquisadores consideram cada novo achado uma fonte primária relevante para o estudo da história dos povos turcicos e uigures, com potencial para revelar novas evidências linguísticas e históricas.

Um caso anterior citado como referência é o de um epígrafe da dinastia Tang (618-907), encontrado em Xi’an, na província de Shaanxi, no noroeste da China. A peça, escrita em chinês e em caracteres rúnicos, narra a trajetória de um príncipe uigur que se estabeleceu em Chang’an — atual Xi’an — e ilustra as trocas culturais ocorridas ao longo da Rota da Seda, segundo reportagem anterior da agência Xinhua.

Segundo os arqueólogos, a nova inscrição contribui para o acervo de registros rúnicos do planalto da Mongólia e fornece evidências físicas adicionais para estudos sobre geografia histórica, línguas, escrita, composição tribal e rotas de deslocamento dos antigos povos nômades. O achado também é apontado como relevante para pesquisas sobre as civilizações da estepe eurasiática e sobre a Rota da Seda nas regiões de pastagem.

A descoberta é descrita como mais um resultado da cooperação arqueológica entre China e Mongólia, parte de esforços conjuntos dos dois países para promover a pesquisa sobre patrimônio cultural e o intercâmbio entre civilizações.

A equipe conjunta agora vai trabalhar com especialistas em linguística, história e arqueologia para decifrar e estudar a inscrição em profundidade. Os resultados da pesquisa serão divulgados à comunidade acadêmica e ao público posteriormente.

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